Opinião

Somos a resistência

Festa xavante na final do Gauchão e reconstrução do Lobo sustentada por profissionais da cidade são provas de que Pelotas é uma exceção no futebol nacional

16 de Abril de 2018 - 15h47 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Vinícius Guerreiro
vinicius.guerreiro@diariopopular.com.br

Pelotenses podem estufar o peito e dizer com orgulho: somos a resistência no futebol nacional. Justifico com dois fatos: a festa da torcida xavante nas duas partidas finais do Gauchão, apesar do resultado, e a nova fase de organização do Pelotas que aposta em profissionais da cidade.

Ambos os fatos se entrelaçam e são resultados de uma cidade que sempre viveu apaixonada pelo futebol, mas, além disso, pelo seu futebol. Começamos pela festa xavante. Pergunto: qual a torcida, pode ser de clube de interior ou de capital, que iria fazer uma celebração à paixão pelo futebol como foi a do último domingo? Sim, é uma demonstração da paixão ao futebol, pois nem os mais fanáticos dos rubro-negros acreditavam numa virada, após perder de 4 a 0 no jogo de ida para um dos melhores times da história do Grêmio. Os dez mil xavantes que lotaram o Bento Freitas foram celebrar o amor pelo clube e reconhecer todas as conquistas da Era Ricardo Fonseca.

A cena é simbólica. Após o jogo, a torcida gritava "rubro-negro" enquanto o Grêmio recebia o troféu de campeão. Poucas vezes a taça de vice foi mais celebrada em um estádio de futebol. Isso é resistência.

Na Avenida
O diretor executivo de futebol, Rafael Farias, o preparador físico, Roberto Recart, o auxiliar técnico, Felipe Müller, e o analista de desempenho, Mateus Gonçalves. Todos profissionais pelotenses. Formados e capacitados dentro da paixão do nosso futebol. A história de Müller e Recart se mistura à do Lobo. São anos de clube. Já Farias e Gonçalves são profissionais da nova geração que apostaram no projeto do Pelotas para alavancar uma carreira.

Ter esses profissionais é um sinal de resistência. O áureo-cerúleo faz uma campanha sólida na Divisão de Acesso e montou o melhor grupo, desde que foi rebaixado em 2014, a partir do trabalho destes pelotenses. Não foi preciso buscar gente capacitada fora de Pelotas. A paixão que move o torcedor para a arquibancada da Boca do Lobo, é a mesma que faz diversos estudantes sonharem em trabalhar com futebol. Há diversos profissionais que saíram da Princesa do Sul e estão espalhados pelo país. O futebol pelotense resiste de paixão. Da arquibancada ao gramado.

Mas..
A elitização do futebol afastou o torcedor humilde dos estádios em todo o país. É triste e revoltante constatar essa realidade. Porém, Brasil e Pelotas sempre terão apoio nas arquibancadas, seja em Pelotas ou fora de casa. Ambos os clubes tiveram iniciativas diferentes este ano para atrair esse torcedor. O Pelotas colocou ingressos a R$ 20,00. O rubro-negro criou um plano de sócio popular. Iniciativas importantes, é claro - mas, ainda assim, é pouco pra quem quer ver Baixada e Boca do Lobo sempre lotadas.


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