Artigo

Proteínas do mal

21 de Abril de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Sergio Cruz Lima

As notícias diariamente veiculadas pelos telejornais tupiniquins sobre a política nacional são arrepiantes.

Coisas de outras galáxias! Quase todas elas, cá e lá, agregam as proteínas do mal. Políticos de todas as cores partidárias - os do PT, em particular! - mamando nas tetas das estatais e nas grandes empreiteiras nacionais.

ONGs fantasmas, esparzidas no território nacional, sugando o meu, o seu, o nosso suado dinheirinho. Governos eleitos pelo povo, incompetentes em sua maioria, flagrados em cabeludas mamatas e grossas roubalheiras.

Membros das casas legislativas, em todos os níveis, sem disposição para o trabalho em prol da população que os elegeu, mas imbricadamente voltados para o seu umbigo só votam matérias em causa própria. Os grampos - ah, os grampos! - já não valem como provas, mas as gravações e as delações premiadas - de arrepiar os derradeiros fios de cabelo! - persistem aterrorizantes e demolidoras.

A Terra vai mal das pernas. O trânsito terrestre pior. As sete pragas do Egito - aquelas invocadas por Moisés e que abalaram o poder do faraó! - parecem ingressar diariamente na sala de estar da casa de todos nós. A vida lá fora anda tão lúgubre, mas tão lúgubre, quanto a insegurança nas ruas e estradas, os hospitais que não funcionam e as escolas que não ensinam. Diante de tamanha hostilidade do lado de fora, o ser humano opta por refugiar-se em seu imo, exercitando os sentidos, particularmente o paladar.

Pois é, ontem os poetas compensavam suas desilusões com olheiras de dar medo e uma tísica “fatal” - até que o doutor Fleming descobriu a penicilina. Hoje, comer é uma compulsão do mundo moderno, um mal do século 21, quiçá para equilibrar as angústias do homem. Ser poeta e ser “doente dos pulmões” era uma associação quase natural nos idos do século 19. Um grande amor, uma traição do ser amado e - zás! - a pessoa deixava de comer. Que falta faz o mal do século, através do qual uma face encovada e a ausência de barriga atestavam a “sensibilidade” do homem. Hoje, até os poetas são obesos. Talvez, porque as desilusões, as dores de cotovelo e as más notícias - como as trazidas pelos telejornais todo santo dia! - sejam servidas à mesa. É preciso ter estômago de avestruz para ligar a TV e assistir ao telejornal na hora do jantar. Há sempre uma seleta bandeja de péssimas notícias, daqui e dali, invadindo o seu palato. Não é mesmo assim?

 


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