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Atos de Vestimenta

13 de Janeiro de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Sergio Cruz Lima
Colaborador

No século 16, você era o que você vestia. As roupas transmitiam uma mensagem imediata de hierarquia. Leis suntuárias, que dispunham sobre a qualidade dos materiais a serem usados nos trajes das diferentes classes da sociedade, eram uma tentativa de implementar uma ordem social assentada no alfaiate. Os tecidos eram preciosos, não só as tapeçarias que tremulavam nas paredes dos castelos, mas os tecidos em si mesmos, até os panos de sela dos cavalos tinham certa medida de valor que, segundo o olhar da época, poderia ser um indicativo de status.

Sob o reinado de Elizabeth I, a aristocracia empreendeu uma ação de retaguarda em relação à vestimenta, determinada a proteger seus privilégios da burguesia e das classes mercantis cada vez mais ricas. Assim, os Atos de Vestimenta impunham certas interdições, como a do uso do cetim e do veludo a quem estivesse abaixo do grau de barão. Mas não só a qualidade do tecido era controlada, uma vez que o estilo de corte também era censurado. Disposições da moda eram tidas como prerrogativas exclusivas das camadas mais altas - viscondes, condes, marqueses, duques etc -, daí o caso do infeliz homem preso em Blackfriars, em 1565, por ostentar “um monstruoso par de calções enormes”.

A rainha possuía mais de três mil vestidos, todos nos mais refinados e exóticos tecidos - damasco, seda, veludo italiano, peles raras - e, talvez o maior, se não o mais simples símbolo de seu status, os mais frescos e puros linhos. O linho era usado junto à pele, por conforto e higiene, já que as roupas raramente podiam ser lavadas, embora se fizesse uma espécie de “limpeza a seco” com ingredientes como cinzas e pedra-pomes. A gola em favos, talvez a peça do vestuário que caracteriza de modo mais marcante o adjetivo “elisabetano”, dependia de muita manutenção, quase não tinha função além de enfeitar e carecia de linho úmido para ser armada com varas aquecidas nas “casas de engomar”, introduzidas na década de 1560. As joias que adornavam as roupas, mesmo as diárias, eram usadas em profusão pelos membros da alta nobreza, assim como as golas elaboradas, eram a “marca” da era elisabetana. E Elizabeth I brilhava, resplandecia, fulgurava com a radiância dos ungidos.


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