Editorial

Ele ainda preocupa o RS

19 de Agosto de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Doze anos após ser identificado na região de Pelotas, o mexilhão dourado (Limnoperma fortunei) continua sendo notícia e mobilizando órgãos públicos do Rio Grande do Sul. Esse mês o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) manteve a sentença que determina ao Estado e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a elaboração e implantação de um projeto que contenha o molusco no rio Guaíba. A espécie precisa ser controlada porque ocasiona alteração e destruição de habitats e modificações na qualidade de água.

O mexilhão dourado é nativo dos rios da China e do sudeste  asiático. Os primeiros registros da espécie na América do Sul ocorreram em 1991, próximo ao rio da Prata, introduzido provavelmente pela descarga de água de lastro com altas concentrações de larvas. A partir da colonização, foi registrado pela primeira vez no Estado em 1998, na bacia do Guaíba. Dois anos depois já havia se estendido pela Lagoa  dos Patos.

A espécie cresce rapidamente e provoca a diminuição do diâmetro e entupimento de encanamentos, a diminuição da velocidade da água, o acúmulo de conchas vazias, a contaminação  da  água por eventos de mortalidade em massa e o entupimento de filtros. (Fonte: Cenários de distribuição do mexilhão dourado Limnoperna fortunei (mollusca _ bivalvia) sob distintas condições de salinidade no complexo lagunar Patos-Mirim, RS _ Brasil, por Ricardo Roberto Capítoli, Leonir André Colling e Carlos Emílio Bemvenuti, da Furg).
Em 2004 o cenário foi tão dramático que a direção do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) de Porto Alegre foi obrigada a montar uma grande operação para desobstruir os encanamentos atingidos por colônias, problema semelhante ao detectado na Hidrelétrica de Itaipu, no Paraná.

Em Pelotas, em 2005, pequenos grupos do molusco foram encontrados nas imediações da Ponte do Cotovelo - próximo à Colônia de Pescadores Z-3 e a oito quilômetros da barragem Eclusa do canal São Gonçalo.
Na Justiça, como o Ministério Público Federal (MPF), o Ibama e o Estado não chegaram a um acordo para resolver o problema, o primeiro ajuizou ação solicitando medidas para acabar com a proliferação. O relator do caso, juiz federal convocado Sérgio Renato Tejada Garcia, manteve o entendimento de primeira instância, de que "a proteção do meio ambiente é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios".


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados