Editorial

Por menos violência

26 de Junho de 2017 - 07h34 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A violência contra a mulher, infelizmente e apesar dos inúmeros esforços de diversos órgãos, ainda é uma realidade no país. E em todos os cantos do país mesmo. O Rio Grande do Sul tem números terríveis. Nada se compara, no entanto, ao estado de Roraima, considerado o mais agressivo e letal às mulheres e meninas.

O relatório da Human Rights Watch, organização internacional, é revelador: as taxas de homicídios de mulheres em Roraima cresceram 139% entre 2010 e 2015, atingindo 11,4 mortes para cada 100 mil mulheres em 2015. A média nacional é de 4,4 homicídios para cada 100 mil mulheres, uma das mais altas do mundo.
Conforme divulgou reportagem da Agência Brasil, “com base em estudos feitos no Brasil, a Human Rights Watch estima que a maioria das mulheres é assassinada por parceiros e ex-parceiros. Em levantamento de fevereiro de 2017, somente um quarto das mulheres que sofrem violência no Brasil reporta a agressão à polícia.

Não há discriminação dos dados por estado. A organização afirma que em Roraima, mesmo quando as mulheres contatam a polícia, há dificuldade para relatarem as agressões sofridas”.

O pesquisador da Human Rights Watch, César Muñoz, fez à reportagem da Agência Brasil uma análise da situação em Roraima: “Os problemas que vimos refletem falhas estruturais nacionais. Muitas mulheres sofrem abusos e violência doméstica durante anos e, quando reúnem coragem para denunciar, a resposta do estado é decepcionante. Em Roraima, há graves obstáculos que enfrentam para denunciar a violência que sofrem. E documentamos como é frequente como as investigações são falhas ou inexistentes e como o monitoramento das medidas protetivas é falho.”

A falta de efetivo na Polícia Militar é um dos principais entraves para o combate. De acordo com informações obtidas no relatório, sequer há, em vários casos, atendimento das denúncias feitas por telefone. De nada adiantará o estímulo às denúncias se elas não forem devidamente encaminhadas pelos órgãos de segurança.

Combater os problemas estruturais é fundamental para dar mais segurança, ou uma mínima segurança, às mulheres.


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