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Porto Memória

07 de Julho de 2018 - 06h06 Corrigir A + A -

Por: Guilherme P. de Almeida
Pesquisador do Almanaque do Bicentenário de Pelotas


Muitas foram as dificuldades enfrentadas na empreitada das obras do porto, desde logo o princípio. Em primeiro lugar, a mudança não prevista do local escolhido para sua construção. O fato deveu-se à ganância dos proprietários de imóveis, terrenos e dos velhos trapiches existentes no porto velho, a serem desapropriados e indenizados pelo Estado, que pretenderam por tal "quantias exageradas, verdadeiramente fabulosas". A escolha de um novo lugar requereu novos estudos, novas sondagens de solo, e, naturalmente, alterações de projeto. Imbróglio que causou o retardamento das atividades e alimentou rumores negativos, dirimidos quanto tais detalhes vieram finalmente a público na imprensa local.

Outro grande empecilho fora imposto pela companhia Light & Power, então responsável pelo fornecimento de energia na cidade. Ao pedido da firma Costa & Boegh de extensão de fios na distância de 100 metros, a fim de instalar força elétrica em seu parque de construções, a concessionária cobrou a leonina soma de 20 contos de réis, considerada "exorbitante". A solução foi a aquisição de um locomóvel (máquina a vapor ou de motor a explosão montada sobre rodas, adaptável à necessidade de mudanças de localização utilizada nos trabalhos agrícolas, de construção civil etc) pela construtora.

O contrato, firmado em 5 de outubro de 1933, vinha, entretanto, sendo fielmente cumprido em seus prazos. A obra iniciara rigorosamente dentro de 30 dias, em 5 de novembro de 1933, conforme ata lavrada em caráter provisório, em função de não constar nomeado o respectivo fiscal. Somente no dia 20 de novembro daquele ano o engenheiro Antonio Pradel estaria nomeado para o posto.


Porto hoje
por Satolep Press

Arte renovada no muro do TPP
O muro do Terminal do Porto de Pelotas (TPP) conta com uma nova obra do artista Bero Moraes. A inspiração para a pintura em grafite veio através do folclore brasileiro, com a lenda indígena da Vitória-régia, um símbolo da Amazônia. Segundo consta, a vitória-régia era originalmente uma índia que se afogou após inclinar-se no rio para tentar beijar o reflexo da lua - ou Jaci, como acreditavam os índios. Ao perceber que a índia morrera afogada, em vez de transformá-la em uma estrela como fazia com as outras índias, Jaci a fez dela uma planta aquática. Hoje a vitória-régia é conhecida como a estrela das águas. A arte integra o painel do Arte no Muro I, dentro do projeto do Otroporto - inciativa da Sagres e CMPC Celulose Riograndense nas ações de revitalização da orla portuária e está localizado na rua Conde de Porto Alegre.

colunaportomemoria@gmail.com

 

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