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Malg novamente de portas abertas

Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo reabre para o público a partir desta segunda-feira, com exposição do patrono, na casa nova

30 de Junho de 2018 - 20h00 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Expectativa de Santos, Mari e Úrsula (E) é de que visitação aumente (Foto: Paulo Rossi - DP)

Expectativa de Santos, Mari e Úrsula (E) é de que visitação aumente (Foto: Paulo Rossi - DP)

Painéis do casarão da Osório foram reaproveitados. (Foto: Paulo Rossi - DP)

Painéis do casarão da Osório foram reaproveitados. (Foto: Paulo Rossi - DP)

Agora, em um único espaço de guarda, acesso ao acervo ficou facilitado (Foto: Paulo Rossi - DP)

Agora, em um único espaço de guarda, acesso ao acervo ficou facilitado (Foto: Paulo Rossi - DP)

De casa nova desde março, o Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo, da Universidade Federal de Pelotas (Malg/UFPel), abre as portas ao público nesta segunda-feira (2), às 14h, no prédio do antigo Lyceu Rio-grandense, na praça 7 de Julho, 180. A ação insere o Malg dentro das atrações da Semana de Aniversário de Pelotas. A inauguração oficial ocorreu no final da tarde de sexta, com a presença do reitor, Pedro Curi Hallal.

A abertura ao público excepcionalmente na segunda-feira mostra o quanto a nova diretoria, empossada em maio, e a Reitoria da UFPel estão imbuídas em refazer o mais rápido possível a ligação do Museu com a comunidade. Normalmente o funcionamento é de terça a domingo, guardando as segundas para atividades internas.

Para o diretor da entidade, professor Lauer Santos, é importante que o Museu não fique fechado por muito tempo. “Essa Reitoria teve a coragem de trazer o Museu para este prédio. Aqui na universidade mudanças como essa são muito difíceis de serem feitas.”

Duas salas
Para a inauguração estará montada a sala Gotuzzo, a primeira à direita de quem entra pela praça 7 de Julho. O espaço será exclusivamente para o legado do patrono. “Um dos diferenciais deste prédio é ter a sala do Gotuzzo, uma sala de destaque bem de frente”, comenta o diretor, professor Lauer Santos.

Para a reabertura, a sala terá a exposição In loco - Percursos de Leopoldo Gotuzzo, apresentando obras representativas das viagens do artista pelotense, desde que ele saiu da terra natal em busca de aprimoramento. “Pensamos em mostrar essa relação da casa com o artista, a vida dele até chegar até aqui”, conta a vice-diretora, Mari Luci da Silva Loureto.

Ligado à sala do patrono por uma porta ficará o segundo espaço expositivo do Museu. Esta galeria ainda está sendo organizada para receber futuras exposições e não estará pronta para a reabertura.

Os dois espaços estão recebendo painéis, boa parte deles com material reciclado das antigas instalações do Malg no prédio da rua General Osório. Estes suportes de madeira são instalados bem longe das paredes do casarão. “Será um espaço expositivo, bem desenhado pelos painéis, dentro de um espaço histórico”, diz o diretor.

Mesmo sem data de inauguração divulgada, a primeira exposição da galeria já está sendo organizada. A intenção é unir música e poesia com a arte pictórica, em uma homenagem ao compositor Luís Carlos Lessa Vinholes, o pelotense que doou mais de duas mil obras ao acervo do Museu, constituindo a coleção que leva o seu nome.

Reserva técnica
Na segunda sala à esquerda de quem entra fica a reserva técnica do Museu, local onde estão abrigadas as cerca de 3,8 mil peças do acervo. A museóloga Joana Lizott diz que o espaço de guarda é praticamente o mesmo, o que diminuiu foi a área de trabalho. Mas, quando se compara ao prédio anterior, todo o acervo está no mesmo lugar. “Na outra casa, o material ficava espalhado em três peças. Facilitou bastante”, fala Joana.

A casa tem um pé direito alto, o que garante mais frescor nos dias quentes, mesmo assim um ar-condicionado mantém a climatização do espaço. “A gente ainda está conhecendo a casa”, fala o diretor, quando perguntado se as obras estão em um ambiente ideal.

Para a museóloga, em princípio, ventiladores devem ser colocados para serem revezados com o ar-condicionado. “Seriam a melhor solução para cá, 24 horas o ar não vai dar conta.”

O ideal é que as obras não passem por variações de temperatura e umidade. Para contornar este último fator climático, que em Pelotas costuma ter altos índices, desumidificadores foram colocados em ação.

Mas não é só a reserva técnica que precisa de climatização, o ideal é que todo o museu seja climatizado para que, quando a obra seja exposta, não corra nenhum risco ao sair do espaço de guarda. “Como esse prédio é da universidade e esperamos que seja definitivo do Museu, a gente pode fazer projetos a longo prazo”, diz o diretor. A ideia é projetar uma climatização integral, a partir dos conhecimentos sobre as características do interior do prédio.

Esse investimento de alto valor e que deve interromper as atividades do Museu por uns dois meses ainda não tem data para ocorrer. Mas Lauer Santos defende que valerá a pena. “Todos os investimentos aqui serão permanentes.”

Ampliar parcerias
A diretora do Centro de Artes (Cearte/UFPel), professora Úrsula Rosa da Silva, se diz muito feliz e otimista com a nova casa do Museu. “Não é só a universidade quem ganha, a própria cidade ganha.” A expectativa é agora de ampliar as parcerias e mais atrair exposições nacionais e internacionais. “A gente já tem uma tradição de ser a repercussão da arte aqui na região, agora é só ampliar”, diz.

“É um momento de celebração para nós estarmos aqui, apesar de ainda ter muita coisa a ser feita”, comenta o diretor. “Cada conquista é um novo ponto de partida para uma nova busca.”

Com foco em projetos educativos, a nova diretoria quer agora conquistar condições ideais para melhor poder oferecer cultura para a comunidade. Com vistas a alcançar esse objetivo, há planos de parcerias com a Secretaria de Cultura. O que o prédio da praça 7 de Julho não oferece, como o miniauditório, será negociada a utilização de outros espaços da universidade.

Com 30 anos de trajetória, o Malg chega à nova casa inserido num cenário nacional de museologia. “As últimas direções trouxeram os profissionais ligados à conservação e à museologia, mudando o foco no sentido de atualizar o perfil do Museu”, fala a diretora do Cearte.

Para a professora, por estar dentro da universidade, o Museu tem recebido a contribuição de pesquisadores desta área. Lauer Santos ainda destaca a gestão de pessoas que estão inseridas neste meio. “O olhar é muito particular e isso faz a diferença, como artistas e professores que estão preocupados em produzir ações pedagógicas.”

Programação
A reabertura na Semana de Pelotas trará uma programação intensiva para os meses de julho e agosto. Nesta quinta-feira, às 17h30min, haverá a apresentação da orquestra da UFPel, coordenada pelo professor Tiago Ribas. Para as próximas semanas, estão programados, ainda, lançamento do catálogo do Museu, lançamento de livro, espetáculo de sapateado, e bazar da Sociedade Amigos do Malg (Samalg), que ocorrerá dias 8 e 9 de agosto.

Como a entrada do Malg fica de frente para o largo Edmar Fetter, do Mercado Central, a expectativa é de que as ações atraiam um bom público. Segundo o diretor, assim como o prédio, a diretoria e os funcionários do Museu estão por conhecer o potencial de visitantes. “Aqui as pessoas estão mais numa área de lazer, na Osório era um local mais de passagem. Tínha

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