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Crônica

Realidade virtual

09 de Junho de 2018 - 11h11 Corrigir A + A -

Por maria Alice Estrella - malicestrella@yahoo.com.br

As redes sociais virtuais desencadeiam um fenômeno previsível, mas não menos intrigante. A intenção descompromissada de fazer delas uma sala de visitas onde se trocam mensagens de otimismo, bons augúrios, felicitações e se compartilha fotos de viagens, de eventos familiares, de vitórias como se estivéssemos numa sala de bem-estar, de convívio e de comunicação, se expandiu de tal forma, que desencadeou o acesso a todos os cômodos da casa, de uns e de outros, sem a mínima cerimônia.

A privacidade é invadida pela falta de regras e de limites. E por essa razão, se descartam o bom senso e o discernimento, oportunizando as mais distintas e indevidas exposições pessoais e íntimas. Da sala ao quarto, do privado ao público. Com a velocidade da luz se entrelaçam dados, fotos, relatos e por aí se vão descortinando intimidades das mais variadas.

A abrangência de pessoas, que faz uso das redes sociais virtuais, é generalizada. Quase que indistintamente, jovens e adultos atuam como participantes nesse redemoinho que a internet possibilita com sua tecnologia, cada vez mais, fascinante e plena de alternativas.

Mensagens postadas com recursos de imagens e textos, desde o simples cumprimento de “bom dia”, a oferta de produtos, as felicitações, os desabafos, os comentários políticos, as recordações de viagens, as críticas sociais, até recados de autoajuda desfilam frente aos olhos dos amigos virtuais numa maneira de se fazer presente na roda coletiva do mundo cibernético. As cadeiras na calçada para a conversa de fim de tarde, com o som das vozes e o toque dos gestos, foram substituídas por uma tela e um teclado. Sinais dos tempos.

E por falar em sinais, a grafia das palavras, muitas vezes, adultera e corrompe o idioma com uma desfaçatez descontraída aos extremos. E “a gente vai levando, a gente vai levando...”.

A carência de contato, a sensação de solidão é tão abundante que muitos se permitem interagir no plano virtual com mais assiduidade do que o adequado. Existe um código implícito de boas maneiras que permite comentários e aprovação. Não é usado sempre. Mas sempre há a possibilidade de ocorrer alguma manifestação.

É bem verdade que, também, através dessa modernidade se abriram caminhos para vencer o distanciamento entre amigos que se perderam pelas estradas do desenrolar da vida. Amigos de infância, da adolescência, da juventude, da maturidade. Amigos que mudaram de cidade e de país. Amigos que descortinaram novos horizontes e se afastaram do nosso cotidiano. A rede virtual possibilita o resgate precioso de conversas interrompidas, permite a partilha de fotografias revisitadas, de carinhos recuperados para a alegria da alma.
Amizades reencontradas no tempo que as manteve reféns do esquecimento.

Afora todas as benignidades das redes sociais virtuais, se constata que as normas e regras para a proteção dos usuários ainda é precária. Os censores e escudos carecem de evoluir tão rápido quanto os velozes mecanismos invasores da privacidade alheia.

Infelizmente, todo o cuidado é pouco. Desavisados e incautos, muitos expõem, sem a mínima malícia, particularidades que deveriam ser restringidas a conversas de “pé de ouvido”.

Vale dizer que ninguém escapa das malhas do prejuízo de postagens inadvertidas ou inoportunas.
Com parcimônia e equilíbrio ao frequentar essa rede de comunicação, de uma certa maneira, podemos usufruir de bons momentos compartilhados na dimensão virtual e intangível.

No entanto, como de costume nessa vida, tudo que é aprazível tem seu preço acrescido de juros e multa no caso de extrapolação dos limites.

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