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Turismo

Uma pintura de cidade

Caderno Estilo apresenta o que há de melhor para se fazer em alguns dos principais museus de Paris

09 de Junho de 2018 - 18h39 Corrigir A + A -

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De cima da Notre Dame, as gárgulas observam a capital francesa. (Foto: Max Cirne)

Estando em Paris, o essencial é observar o cotidiano local, seja caminhando pelos arredores do Sena ou sentado nas mesas de calçada dos bistrôs. A cada esquina, a capital francesa demonstra sua imponência arquitetônica, com pontes, igrejas, parques e prédios monumentais, reforçando o porquê de ser um dos destinos mais visitados do mundo.

Após subir na onipresente Torre Eiffel e passear de barco pelo rio que corta a cidade, a capital francesa pode ser apreciada através de seus mais de 50 museus. Alguns dos melhores passeios estão em aproveitar os diferenciais de cada uma dessas atrações.

O caderno Estilo selecionou seis tarefas (quase) obrigatórias para serem realizadas nos principais museus parisienses. Alguns podem até mesmo surpreender por serem enquadrados nessa categoria, como a Catedral de Notre-Dame, o Palácio de Versailles e o Arco do Triunfo. Tem-se ainda o tradicional Louvre, o modernoso Pompidou e o encantador Orangerie. Todos fazem parte da multicultural Paris, que, aliás, é praticamente um museu a céu aberto.

INTERAGIR COM AS GÁRGULAS
Visitar o interior da Catedral de Notre-Dame é um passeio indispensável na capital francesa, mas o que muita gente esquece (ou não sabe) é da possibilidade de subir nas duas emblemáticas torres da construção gótica. Aqui o desafio é contado em 387 degraus de uma estreita escada caracol, o que exige certo preparo, pois, do contrário, vai deixá-lo com dor nas pernas por umas boas horas. Todo empenho é recompensado assim que se coloca os pés no primeiro patamar. Do alto pode-se apreciar uma das vistas mais deslumbrantes de Paris, a favorita de muitos, justamente pela proximidade do rio Sena. Mais fascinante é somar esse visual com a presença das gárgulas, estátuas de criaturas grotescas que habitam o local. Na prática, servem para escoar a água da chuva acumulada nos telhados. Já no campo simbólico visam afastar o mal do interior do ambiente puro da igreja. Esses monstros e demônios fazem parte do imaginário da cidade, presentes inclusive no clássico O corcunda de Notre Dame, de Victor Hugo. Ainda é possível visitar os enormes sinos da igreja e subir até o topo de uma das torres.

OBSERVAR AS NINFEIAS DE MONET

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(Foto: Max Cirne)

Uma das séries mais deslumbrantes de Claude Monet encontra-se no Museu Orangerie, instalado no Jardim das Tulherias. É um pequeno prédio cujo ponto de interesse são duas salas ovais onde estão instalados, em círculo, oito painéis que variam de seis a 17 metros de comprimento. Representam os jardins projetados por Monet no vilarejo de Giverny, local em que o pintor impressionista morava. O próprio trouxe diversas plantas orientais para o seu terreno, inclusive as famosas ninfeias, que se tornaram uma obsessão nas últimas três décadas de vida. Dedicou esse período para produzir cerca de 300 pinturas a óleo de ninfeias. Exposto, o resultado é um grandioso espetáculo de cores, praticamente abstrato, que gradativamente revela flores, galhos e reflexos de luzes sobre as águas.

SUBIR NO ARCO DO TRIUNFO

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Muitos pensam que o Arco do Triunfo é apenas um monumento para ser admirado. Parte da experiência de estar frente a frente com um dos principais símbolos de Paris é adentrar a construção. São 286 degraus até o topo, subindo por uma escada caracol. No meio da empreitada há uma pausa para descasar em alguns bancos e ainda conferir uma breve exposição sobre a construção do prédio, uma loja de souvernirs e uma mostra de trajes militares. Vale lembrar que o monumento foi erguido em comemoração às vitórias militares de Napoleão Bonaparte. Ao chegar na parte mais elevada, é possível percorrer toda sua extensão, tendo como desfrute uma das melhores vistas da cidade. Os destaques são a Torre Eiffel, bastante próxima; e a avenida Champs Elysées, que, de um lado, pode ser observada até o Jardim das Tulherias e, do outro, até o centro financeiro La Défense.

PERDER-SE PELOS CORREDORES DO LOUVRE

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As mais famosas obras de arte do mundo estão no Museu do Louvre. Esculturas como Vênus de Milo e Vitória de Samotrácia e pinturas como A liberdade guiando o povo e Monalisa são apenas algumas delas. O prédio foi construído como um forte militar, depois foi adaptado para se tornar um castelo, transformando-se em palácio e, por fim, em museu. Aos poucos, agregou edifícios ao redor. Atualmente, possui uma área de mais de 72 mil metros quadrados. Perder-se pelos inúmeros corredores não é problema algum para quem aprecia arte. As obras são divididas em oito departamentos, que vão desde antiguidades egípcias, gregas e romanas até impressões, desenhos e artes decorativas. Dizem que a visita completa leva cerca de três meses, caso o visitante se detenha dez segundos em cada uma das obras. Portanto, é importante definir um pequeno roteiro do que se deseja apreciar antes de começar a excursão pelo local. Esteja ciente que será difícil fugir das multidões. Aproximadamente oito milhões de pessoas visitam o Louvre por ano.

PASSAR UM DIA NA CORTE

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Visitar o Palácio de Versailles é absorver um pouco do que foi a grandiosidade arquitetônica - e também o esbanjamento - da França durante mais de dois séculos. O estonteante local serviu de lar para vários monarcas, desde o primeiro hóspede (Luís 14) até o último (Maria Antonieta). O tour, com direito a audioguia em português, se inicia pelo casarão que dá nome à propriedade. São inúmeros aposentos, tendo como destaque a Galeria dos Espelhos, com 70 metros de comprimento numa combinação de lustres de cristais e mais de 300 espelhos. A opulência da época também pode ser apreciada na imensa área de jardins à francesa que cercam o palácio. É preciso reservar várias horas para visitar o parque de 700 hectares de extensão, com labirintos verdes, restaurantes, lagos e ainda dois pequenos palácios: Petit e Grand Trianon, que serviam de refúgio para vários reis e rainhas na tentativa de fugir da pompa, da etiqueta e das atividades da corte.

PERCORRER AS ENTRANHAS DO POMPIDOU

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Assim como a imponência palaciana do Louvre combina com suas obras clássicas, a arquitetura moderna do Centro Georges Pompidou combina com suas exposições de arte contemporânea. A inspiração industrial, totalmente high-tec, apresenta as estruturas de aço à mostra, com cabos, tubulações e até mesmo escadas rolantes externas ao prédio. Aliás, existe uma cor específica para cada sistema: verde para hidráulico, azul para climatização, amarelo para elétrico e vermelho para os elevadores. Aventurar-se pelo prédio revela-se uma atração à parte, incluindo subir as cinco escadas rolantes que, conforme aumentam os andares, fazem surgir gradativamente o horizonte da cidade. O destino final é o terraço, local onde se encontra um restaurante ideal para tomar um drink apreciando o visual a perder de vista. Enquanto isso, nas galerias do Pompidou estão expostas obras de artistas como Marcel Duchamp, André Breton, Picasso, Salvador Dali, Miró, Andy Warhol e Pollock.

Paris Museum Pass
Todas as atrações listadas nesta reportagem integram o Paris Museum Pass, um vale que oferece entrada liberada em mais de 50 museus da cidade. É possível adquirir o passe para dois, quatro ou seis dias consecutivos. Já compensa se for visitar os museus mais caros, como Louvre (15 euros) e Versailles (20 euros). Também permite furar as filas. É possível encontrar para venda em diversos pontos de Paris, inclusive em aeroportos.

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