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Brincar e aprender

Grupos musicais de Pelotas investem na produção e no compartilhamento de música voltada para o público infantil

26 de Maio de 2018 - 12h34 Corrigir A + A -
Vídeos do Grupo Kazu são vinculados em conta no YouTube (Foto: Divulgação - DP)

Vídeos do Grupo Kazu são vinculados em conta no YouTube (Foto: Divulgação - DP)

Brincadeira e aprendizado andam de mãos dadas quando aperta-se o play. O botão não é do aparelho de som, mas do display do YouTube. Grupos musicais que desenvolvem canções autorais voltadas para o público infantil apostam cada vez mais na divulgação de seus trabalhos através das redes sociais. O mesmo ocorre em Pelotas com dois projetos que já possuem alguns anos de história: Kazu e Os Ambientais.

Na linha de trabalhos nacionais de destaque como Palavra Cantada e Grupo Trii, os músicos pelotenses utilizam a linguagem sonora, literária e corporal para transmitir mensagens aos pequenos, mostrando que é possível aprender e se divertir através de faixas produzidas em âmbito local.

A música infantil apresenta dupla função, tanto de entretenimento quanto educativa. O Kazu, inclusive, é formado por três professores de educação musical: Rodrigo Xavier, Vitinho Manzke e Rodrigo Madrid, que atuam em escolas da rede municipal de ensino e também universidades.

Juntos, compõem letras fáceis de cantar, carregadas de um embalo cativante e com direito a coreografias. Nesse processo, o gestual é importante, pois, segundo Madrid, facilita no entendimento da canção, além de contribuir para o desenvolvimento da lateralidade, memória corporal e coordenação motora dos jovens.
Em sua rotina diária, o trio costuma interagir com crianças entre 1 e 10 anos de idade. As canções são produzidas para elas, com o intuito de serem utilizadas como exercício em sala de aula. Junto de seu público-alvo, os educadores testam as criações sonoras, sendo a escola como um laboratório para o Kazu. "Se a criança não cantou, não dançou, não brincou, alguma coisa está errada", comentam.

Muitas vezes os temas das composições surgem desse contato direto com os alunos. Madrid conta que percebeu a necessidade de uma canção mais inclusiva para as datas festivas como Dia das Mães e Dia dos Pais, pois nem todas as crianças tinham como referência estas duas figuras. Por isso, criou-se uma música que celebra a família como um todo, seja ela formada por apenas um pai, por apenas uma mãe, por um pai e uma mãe, por dois pais ou por duas mães.

Além das temáticas, cujas letras buscam repassar valores para os pequenos, o grupo apresenta uma preocupação com o instrumental. "Não queremos deixar a música muito infantilizada", revela. Para não soar simplista, as canções costumam receber variações rítmicas e arranjos elaborados. Esse cuidado faz com que as crianças apurem seus ouvidos para variadas sonoridades.

Um dos diferenciais nessa mistura é a participação do kazoo, instrumento de sopro que dá nome ao grupo. Funciona semelhante a um apito, no qual não é preciso apenas soprar, mas também falar junto dele. Este divertido instrumento se faz presente em todas as músicas.

Após a aprovação dos alunos, algumas das criações são levadas para gravação em estúdio. Somam-se ao trio uma trupe de músicos: Renato Popó (percussão), Leonardo Pinho (baixo) e Hamilton Pereira (guitarra). Todos reunidos integram a banda completa que se apresenta em eventos.

Apesar de possuírem um repertório com mais de cem canções, apenas cinco foram divulgadas no canal do grupo no YouTube. As mais pedidas pela criançada são A mão e Flap flap. Os kazuzeiros planejam gravar mais composições e lançar um livro didático de musicalização acompanhado de CD.

Os Ambientais - Foto Piquenique Cultural

Ambiente natural
Com o viés da educação ambiental, o projeto musical Canção dos Bichos: Rock & Natureza foi idealizado pela equipe de Gestão Ambiental da duplicação da BR-116/392, com o objetivo de sensibilizar as crianças sobre a fauna e a flora local. Destas ações, surgiu a banda Os Ambientais. 

As primeiras composições foram produzidas com base no livro Nossos bichos, escrito pela poeta Angélica Freitas, com desenhos de Odyr Bernardi. Os temas das canções abordam uma realidade próxima que é desconhecida de muitos, como as árvores nativas, os banhados e os animais locais, entre eles gambá-de-orelha-branca, mão-pelada e tamanduá. 

"Sabe-se mais sobre o elefante, que é da África, do que sobre os animais da nossa região", acreditam os integrantes da banda formada por Solano Ferreira (baixo e vocal), Andrews Duarte (violão e ukulele), Igo Santos (guitarra e vocal) e Clovis Motta (bateria).

Além de utilizar o livro como suporte, os músicos valem-se de informações técnicas geradas pelos profissionais que trabalham na Gestão Ambiental do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), transformando estudos científicos em canções que são repassadas para a população. "A mensagem é o mais importante", salienta Duarte. 

O trabalho dos Ambientais possui uma forte inserção nas escolas da rede pública de ensino. As apresentações, geralmente, servem de complemento a uma outra atividade educacional promovida pelos professores. Solano comenta que, inicialmente, as crianças desconhecem as letras, mas saem do show sabendo cantar o repertório do início ao fim. 

Algumas facilidades também são oferecidas, como a entrega das letras impressas, repasse de coreografias e uma breve contextualização antes de cada canção. Toda forma de interação contribui para o aprendizado dos pequenos. 

O que costuma chamar a atenção é o som mais pesado do que habitual quando se produz um conteúdo infantil. Em um cenário no qual o rock anda bastante esquecido, o projeto é uma raridade para crianças acostumadas com sertanejo e funk. 

Levantar a bandeira do rock é uma das tarefas bem-sucedidas do grupo. Solano conta que possui o hábito de perguntar, no início do show, quem na plateia gosta de rock. Geralmente poucas mãos levantam. Em compensação, na despedida, a mesma pergunta é feita e todos aprovam o gênero. 

A banda já se apresentou em diversas cidades do Estado e fora dele. No ano passado foram mais de 30 apresentações. Agora em 2018 contabilizam mais de dez shows realizados. Os pedidos devem se intensificar nos próximos dias com a comemoração da Semana Nacional do Meio Ambiente, que ocorre de 4 a 8 de junho. 

No momento, o quarteto possui 13 composições que podem vir a compor, em breve, um CD e um DVD. Em quatro anos em atividade, demonstraram que possuem fôlego para, inclusive, seguirem independentes após a conclusão da BR-392, que era o plano inicial. Enquanto isso, as canções podem ser acessadas através da fanpage

A próxima apresentação aberta ao público em geral está marcada para o dia 10 de junho, às 15h, no Quiosque do Sesc, na praia do Laranjal. Interessados em agendar gratuitamente shows dos Ambientais em escolas ou demais eventos pode entrar em contato pelo 0800-0116392.

OUTROS PROJETOS

Mandinho
O cantor, compositor e violonista Leandro Maia deu início, em 2013, ao projeto lúdico Mandinho, que já lhe rendeu diversos prêmios. O principal produto é um álbum repleto de composições que exploram sua versão criança em canções como Pintinhos da galinha japonesa e Samba da Páscoa, ambas com videoclipes. 

Radicado em Pelotas para ser professor da UFPel, Maia escutou na cidade a expressão que deu nome ao seu CD infantil. Este trabalho foi financiado pelo Procultura local e contou com apresentação no Theatro Guarany tendo o músico interagido com bonecos e outras formas animadas durante a interpretação das doze faixas.

Par ou ímpar
Com a vontade de fazer canções para crianças, a dupla pelotense Kleiton & Kledir lançou o álbum Par ou ímpar em 2007. O projeto obteve uma surpreendente aceitação de público e crítica, possibilitando a formação de um espetáculo musical-circense em parceria com o Grupo Tholl.

Criou-se um mundo povoado por personagens divertidos, como o cão salsicha, bruxa, tartaruga Margarida, formiga atômica, mágico estrambólico. Em 2012, a parceria foi registrada ao vivo em CD e DVD.

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