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Crônica

Do sonho lúcido à lucidez onírica

14 de Abril de 2018 - 06h04 Corrigir A + A -

Por Thais Russomano

Na rua Bergasse 19, em Viena, ficava a residência do Pai da Psicanálise. Nela, Sigmund Freud morou até ir para Londres, em 1938, escapando da perseguição nazista. Ainda hoje, pode-se encontrar ali o livro A Interpretação dos sonhos, uma obra de 1900 considerada audaciosa e inovadora, pois continha uma profunda abordagem sobre os processos inconscientes envolvidos nos sonhos.

Treze anos depois da publicação de Freud, o psiquiatra holandês Frederik van Eeden instituiu a expressão Sonho Lúcido, que ganhou mais prestígio no final do século 20, quando se chegou a um melhor entendimento do processo cerebral necessário para essa classificação onírica - a capacidade de se controlar o próprio sonho, enquanto esse está sendo sonhado - algo inimaginável para Freud.

Para tanto, o indivíduo deve estar dormindo, mas ter consciência de que está sonhando; depois, ele tem que ser capaz de voluntariamente interferir no desenrolar dos fatos de seu sonho ou pesadelo; e, por fim, é preciso que tudo seja registrado, mantendo-se uma clara memória do ocorrido.

Adicionaria aqui a antimatéria, ou o inverso, do Sonho Lúcido, que me atreveria a chamar de Lucidez Onírica, a qual (imagino!) teria uma aplicação indiscutível em várias situações do mundo atual. Nesse caso, primeiro, o indivíduo deve estar acordado e ter consciência de que tudo a sua volta é um sonho ou um pesadelo; depois, ele deve ser capaz de voluntariamente interferir no desenrolar dos acontecimentos dessa situação onírica; e, por fim, é preciso que isso também seja registrado em sua memória.

Talvez indagasse então um sonhador qualquer e desavisado - É o Sonho Lúcido ou a Lucidez Onírica que, diariamente, envolve nosso cotidiano e que chamamos de realidade?

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