Estilo
Crônica

Será que a culpa é nossa?

13 de Maio de 2017 - 06h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Lisiani Rotta - lisirotta@hotmail.com.br

Tem coisa mais chata do que grupo grande de WhatsApp? Não falo dos de família ou de amigos de fé, onde a gente posta e compartilha sem se preocupar com mal-entendidos. Falo de grupos circunstanciais. Aqueles bem heterogêneos onde o pior está sempre na iminência de acontecer, pois, como ninguém se conhece realmente, e todos acham imprescindível dar a sua opinião sobre tudo, dispensando a delicadeza, a probabilidade de atrito é grande. Funciona quase como uma reunião de condomínio; com direito ao chato, ao rabugento, ao que se julga o líder, ao que se sente o cérebro, ao que tem tempo demais à disposição, ao de temperamento bélico, ao sem noção, aos boa paz e aos invisíveis. Empatia devia ser ensinada logo após o desmame.

Talvez seja este, um bom “tema” para o Dia das Mães. O dia em que nós somos ótimas, já que nos restantes, assim como nos divãs, a culpa sempre é nossa. Como pode alguém nos culpar? Será que o nosso amor pode mesmo ser tão nocivo? Excessivo? Maléfico? Será que estamos passando aos nossos filhos a falsa ideia de que eles são, mesmo, as pessoas mais importantes do universo? Será que eles são incapazes de perceber que é o nosso coração falando? Bem, com uma coisa eu devo concordar, feliz ou infelizmente, ser mãe não se resume a amar desmedidamente. Mas também educar, formar, instruir, preparar o filho para o mundo com a consciência de que, o mundo será pra ele o que ele for pra o mundo.

Se ensinarmos sobre um mundo de amor, ele terá um mundo de amor. Se ensinarmos sobre um mundo de ódio, é o que ele terá. Falo de mães porque é o nosso dia, mas, é claro que incluo nisso os pais que se negam a ser coadjuvantes, e que são verdadeiras mães. Ser mãe é o melhor presente da vida, o que, segundo as boas mães, deve-se agradecer. Se a vida nos dá um presente, deveríamos retribuir com um presente à vida! Educá-los. Educar um filho é a melhor coisa que uma mãe pode fazer pelo mundo. Educar é uma arte. Exige uma pitada de talento, uma boa dose de sensibilidade e muito empenho. Mas, com empenho tudo é possível.
Não concordo que somos as culpadas de todos os males, mas acredito que contribuímos para este exército de adultos imaturos que se julgam acima dos seus iguais e que acreditam que o mundo é do tamanho das suas cabeças. Talvez, se ensinássemos mais sobre gentileza, amor, generosidade, altruísmo, os dias seriam melhores. Deveríamos saber que não cabem tantos reizinhos no mundo. Alguém precisa pensar além de si mesmo. É claro que há toda aquela preocupação em ensinar os filhos a se defenderem, a não se deixarem usar, a lutarem pelo que desejam, a acreditarem em si mesmos, mas se a nossa intenção é a felicidade, talvez seja apropriado ensiná-los também sobre o poeta que falava de amor e cantava que ... É impossível ser feliz sozinho.

Aquilo que as vovós falavam é verdade. O amor e a felicidade, assim como a gentileza e a generosidade, são uma via de duas mãos. Se quisermos um mundo mais amoroso, devemos ser mais amorosos com o mundo. A bola que não vai, não volta. Um jogo só começa com a iniciativa de alguém. Seja gentil e atrairá a gentileza. Seja amigo e atrairá amizade. Seja bom e atrairá bondade.

Hoje, quando vejo nas ruas, no trânsito ou nas redes sociais aquela porção de crianças travestidas de adultas brigando pela bola, eu me pergunto se nós mães, tão modernas, tão preocupadas em construir a autoestima dos nossos rebentos, não esquecemos de alertá-los de que jogar sozinho não tem a menor graça? Talvez devêssemos prepará-los, não pra serem as crianças mais felizes do mundo, mas pra tornarem o mundo mais feliz pra todos. Com certeza o trânsito, as reuniões de condomínio e os grupos de WhatsApp seriam outros.

Comentários Comente

REDES SOCIAIS

Diário Popular - Todos os direitos reservados