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21 de Abril de 2017 - 06h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -
Detalhe de navio no São Gonçalo, junto ao Porto de Pelotas. Década de 1890
(Foto: Acervo Eduardo Arriada / Retrato de Arsène Isabelle)

Detalhe de navio no São Gonçalo, junto ao Porto de Pelotas. Década de 1890 (Foto: Acervo Eduardo Arriada / Retrato de Arsène Isabelle)

Por: Guilherme Almeida - colunaportomemoria@gmail.com

Louis-Frédéric Arsène Isabelle foi um naturalista, jornalista, diplomata, comerciante, professor e colonizador francês, oriundo da região portuária do Havre, Alta-Normandia. Seu gosto pelas viagens e pelos estudos naturalistas o trouxeram à América do Sul em fevereiro de 1830. Após passagens por Montevidéu e Buenos Aires, Isabelle excursionou pelo território rio-grandense, adentrando-o em novembro de 1833 e chegando a Pelotas no segundo trimestre de 1834. Entre seus registros de viagem estão referências ao Canal São Gonçalo e à região portuária da cidade.

Conforme salientado pelo historiador Mario Osorio Magalhães, a visita de Arsène Isabelle teve a felicidade de coincidir, no espaço-tempo, com três pontos importantes da história pelotense: a construção da lendária Barca Liberal; a primeira tentativa de desobstruir a foz do Canal São Gonçalo e os primeiros meses de vida do Theatro Sete de Abril.

O viajante descreve a então Vila de São Francisco de Paula em seus últimos momentos como tal. Pelotas era, a seus olhos, uma “encantadora cidadezinha que não tem mais de dez anos de existência e que já rivaliza com Porto Alegre, pela atividade de seus habitantes, a importância de suas transações comerciais e o grande número de prédios que diariamente se constroem”. Para ele era vantagem incalculável Pelotas estar situada junto ao Canal São Gonçalo, pela facilidade do transporte hidroviário de mercadorias. A riqueza promovida pelas charqueadas, com as quais as margens do São Gonçalo estavam “cobertas”, era tamanha o bastante para justificar a arrojada e dispendiosa ideia dos charqueadores de lhe desobstruir o leito.

Sobre a Barca Liberal, Isabelle relata que alcançava a velocidade de “nove milhas por hora a transportar tanto mercadorias como passageiros, vai e vem, diariamente, de São Francisco de Paula a Rio Grande, passando cidade do Norte ou São José [São José do Norte]”. Primeiro navio a vapor a percorrer águas gaúchas, a Liberal foi construída em um estaleiro nas margens do Arroio Santa Bárbara, junto ao encontro com o Canal São Gonçalo, por iniciativa de Domingos de Almeida, que importara moderno motor diretamente dos Estados Unidos. Quanto ao Sete de Abril, cujo prédio acabara de ser inaugurado em dezembro de 1833, o viajante o descreveu como “verdadeiramente elegante e cômodo”.

Isabelle vaticinaria ainda em seu livro, editado na França em 1835, a grandeza e a importância comercial que o futuro reservaria para a cidade. Não sabia ele, porém, que isso teria de esperar mais de dez anos para ocorrer, em virtude do hiato promovido pela revolta farroupilha.

Você sabia?
►Que o Rastro Selvagem tem uma nova intervenção marcada para esta semana, voltada à preservação ambiental, onde irá inserir a imagem de um joão-de-barro em uma fachada da rua Conde de Porto Alegre?

►Que em março as escolas municipais retomaram suas atividades e seis delas, localizadas na região do Porto de Pelotas, serão contempladas com oficinas de arte, cultura, memória, música e esporte?

►Que as obras da nova sede da Patram, no Quadrado, seguem a todo vapor e em breve a Patrulha Ambiental estará instalada em um ponto estratégico, próximo ao Canal São Gonçalo?

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