Estilo
Crônica

Tomando fôlego

21 de Abril de 2017 - 06h00 Corrigir A + A -

Por: Maria Alice Estrella - malicestrella@yahoo.com.br

Quase não acreditei quando li um artigo científico sobre a “Síndrome do Coração Partido” porque, a meu ver, isso é assunto para poetas e escapa à alçada de pesquisas e números. Mas, acreditem, a tal síndrome acomete a mais pessoas do que se imagina.

A sintomatologia é a mesma de um ataque cardíaco: dores no peito e falta de ar. A diferença é que ela parece ser temporária e totalmente reversível, se for tratada rapidamente. Foi descrita pela primeira vez por médicos japoneses no início dos anos 1990. Segundo o estudo, a condição provavelmente é causada por um aumento nos hormônios do estresse. Cerca de 67% dos pacientes tinham passado por algum tipo de estresse físico ou emocional - como más notícias sobre um membro da família, uma discussão doméstica, uma doença severa ou um acidente de carro - pouco antes do aparecimento dos sintomas. Cientistas afirmam ter descoberto que é possível tratar a “Síndrome do Coração Partido” com aspirinas ou remédios cardíacos, segundo um estudo publicado pela revista especializada American Journal of Cardiology.

Assim como eu, você deve estar fazendo uma avaliação sobre tantas e quantas vezes sofreu o impacto da síndrome acima descrita.

Pois bem, guardadas as reservas das particularidades de cada um, não há escapatória para essa síndrome.
A essência da alma é a mesma em ti, em mim, em nós. Sofremos com os impactos dos acontecimentos e o coração dispara, o ar rareia, o peito dói apertado como que por garras de ferro. Partido em pedaços, o coração tenta juntar veias, artérias, ventrículos e válvulas para que o motor não pare de funcionar, mesmo que a impressão sintomática seja a de que nunca mais ele será o mesmo.

Dá muito trabalho e exige esforço incansável domar esse potro selvagem que galopa no lado esquerdo do peito. Haja força, habilidade e equilíbrio para segurar as rédeas e adestrar o desenfreado órgão vital.

Essa dor, essa falta de ar são sinais de estresse, de excesso de desgaste e chegam sem aviso prévio, desarrumando tudo. Podemos até ingerir um comprimido de aspirina e ficar estáticos como estátuas para ver se desaparecem os incômodos e o mal-estar, porém as marcas dos abalos ficam gravadas e esculpem ranhuras no coração.

Coração partido é um mal comum que não se restringe ao universo dos sensíveis poetas e escribas do cotidiano. Assola qualquer um em qualquer tempo e idade.

O consolo é que, embora partido, o coração teima em se recompor e não se entrega no primeiro tempo do jogo. Vai até o final da partida, desfalcado, com o time de reservas, mas pronto para lutar até o final da prorrogação.

E lá vamos nós, em busca da vitória no campeonato da vida, juntando os pedaços do coração partido ao longo do caminho, ingerindo aspirinas e tomando muito fôlego.

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