(Foto: Jô Folha - DP)

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Panorama

Usuários de crack ainda esperam por políticas públicas em Pelotas

Diário Popular volta ao local conhecido como minicracolândia e constata: cenário de degradação humana permanece

09 de Maio de 2013 - 07h02 Corrigir A + A -
 (Foto: Jô Folha - DP)

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Há quase dois meses, o Diário Popular publicava em suas páginas uma reportagem sobre o uso do crack em plena luz do dia. Para retratar o consumo, o jornal foi até um ponto específico da cidade. Uma área identificada como minicracolândia. Na quarta-feira (8) a equipe voltou até o prolongamento da rua Darcy Vargas, em Pelotas, para verificar se a situação havia mudado. Mas o cenário de devastação e degradação humana permanece. Escorados no muro que separa a rua da área interna de um grande residencial, homens e mulheres ainda desamparados pelas políticas públicas utilizam livremente o crack.

Demora na aprovação dos projetos
Como medida para combater a droga, em março o prefeito Eduardo Leite assinou um decreto que determinava a criação do Comitê Local de Gestão do Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack, formado por representantes da Secretaria de Saúde (SMS), Secretaria de Educação e Desporto (Smed), Secretaria de Justiça Social e Segurança (SJSS) e Gabinete do prefeito.

A criação do comitê era um dos pré-requisitos para integrar o programa do governo federal, Crack, é Possível Vencer, cujo objetivo é prevenir o uso e promover a atenção integral do usuário do entorpecente, bem como enfrentar o tráfico de drogas.

Hoje o representante do Gabinete do prefeito no Comitê Local de Gestão do Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack, Sadi Sapper, afirma que a inclusão da cidade no projeto possibilita o exercício dos projetos criados na cidade para tratar o problema como uma questão de saúde pública. Porém, havia a expectativa de que os resultados e recursos do programa chegassem mais rapidamente. “Gostaríamos que o programa andasse mais rápido, mas estamos fazendo a lição de casa que é entregar os projetos ao governo federal."

Tratado como problema, o crack trafega por diversos níveis sociais, sendo associado ao aumento da criminalidade e violência. Além de restringir o convívio social dos usuários através do medo e do preconceito por parte da sociedade. Porém, de acordo com Sapper, é preciso agir com cautela e sem imediatismos. “O crack não é um caso de limpeza desses locais de uso nem de polícia. É saúde pública e deve ser tratado com prevenção e cuidado”, afirma.

Melhorias no sistema
De acordo com a secretária de Saúde, Arita Bergmann, nas próximas semanas devem ser anunciadas as medidas do governo municipal para a saúde mental focada especificamente no trato com as drogas. Entre elas está o anúncio oficial de contratação da equipe do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD3). Um dos objetivos da iniciativa é aumentar a oferta de serviços de tratamento e atenção aos usuários e seus familiares. O que incrementa ações da SMS, como a criação do Caps AD3 - que funcionará em três turnos - os Consultórios na Rua e a contratação de novos agentes redutores de danos.

Redução de danos
A epidemia da droga não atinge apenas Pelotas. De acordo com o Observatório do Crack - mantido pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) - dos 23 municípios da Zona Sul, 65,2% possuem nível médio ou alto de problemas relacionados com a droga. Entretanto, a gerente de Saúde Mental na prefeitura, Cynthia Yurgel, afirma que as coisas estão mudando. Em março, logo após a assinatura do decreto, o prefeito Eduardo Leite autorizou a contratação de 12 agentes redutores de danos, que atuam de forma direta na orientação dos usuários, aproximando estas pessoas dos serviços de saúde para evitar outras patologias - como a Aids. Mas até agora, apenas metade deles foi contratada.

De acordo com Yurgel, a contratação dos seis agentes de redução de danos já foi um passo importante na guerra contra o crack. “Agora estamos aguardando a chegada dos outros seis, totalizando 18 agentes”, explicou. O triplo do número de agentes que atuava no município há meses.

Enquanto as cenas continuam na minicracolândia, quem busca auxílio para encarar de frente o problema do vício deve recorrer ao Caps AD, que é a porta de entrada para o tratamento contra as drogas. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (53) 3222-3350.

Quatro mitos e verdades sobre o crack
- O crack gera dependência logo na primeira experiência. Verdade ou mito?
Mito. Apesar de ser absorvido quase totalmente pelo organismo, apenas o uso recorrente do crack causa dependência. Diferentemente de outras drogas, entretanto, o crack causa sensações intensas e desagradáveis quando seus efeitos passam, o que leva o usuário a repetir o uso. Esta repetição, junto com o efeito potente da droga, leva o usuário a ficar dependente de forma mais rápida.

- O crack é pior que a maconha e a cocaína. Verdade ou mito?
Verdade. O crack e a maconha são drogas com efeitos diferentes. Uma vez que o crack deixa o indivíduo mais impulsivo e agitado e gera dependência e fissura de forma intensa, ele termina tendo um impacto maior sobre a saúde e as outras instâncias da vida do indivíduo do que, em geral, se observa com a maconha. Em relação à cocaína, apesar de serem drogas com a mesma origem, o efeito do crack é mais potente do que a cocaína inalada. Por ser fumado, o crack é absorvido de forma mais rápida e passa quase que integralmente à corrente sanguínea e ao cérebro, o que potencializa sua ação no organismo.

- É possível se livrar do crack. Verdade ou mito?
Verdade. É possível se recuperar da dependência do crack. O usuário deve procurar tratamento adequado e contar com apoio familiar, social e psicológico para superar a dependência química.

- O usuário de crack é sempre violento. Verdade ou mito?
Mito. Usuários que já possuem uma tendência à agressividade podem ficar mais violentos quando estão na fase de “fissura” ou abstinência da droga. Apesar de haver sempre uma deterioração das relações sociais, especialmente no ambiente familiar, a violência não é uma conduta padrão.

Fonte: Programa Crack, é Possível Vencer


Comentários

  • Francisco - 09/05/2013
  • Adriano - 09/05/2013

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