Colônia

Nova licitação para o transporte coletivo rural fica para o final do mês

Tarifa menor será subsidiada em parte pela prefeitura

12 de Julho de 2018 - 22h41 Corrigir A + A -
Moradores da zona rural querem mais horários e aprovam tarifa proposta pela prefeitura.  (Foto: Jô Folha - DP)

Moradores da zona rural querem mais horários e aprovam tarifa proposta pela prefeitura. (Foto: Jô Folha - DP)

A prefeitura de Pelotas pretende lançar, até o final deste mês, o terceiro edital para a licitação do transporte coletivo rural. A informação é do secretário de Transporte e Trânsito (SMTT), Flávio Al Alam. A pasta trabalha, nesta semana e na próxima semana, na finalização do novo edital. O novo formato ainda deve passar pela aprovação da prefeita Paula Mascarenhas (PSDB), em férias neste momento.

Diego Dias tem 19 anos e mora na Cascata desde a infância. Atualmente está no ensino médio. O jovem tem vontade de continuar estudando numa faculdade na cidade. O problema, no entanto, é o transporte. A última linha para a sua comunidade parte às 20h e o horário é incompatível com cursos noturnos, que permitem a conciliação entre a sala de aula e o posto de trabalho. Para vir ao centro na tarde desta terça-feira, o estudante gastou R$11,60, entre a ida e a volta. “É um fator que te impõe dificuldade”, analisa.

Dona Leni Hartwig, 61, vive com uma pensão e vende salgados para complementar a renda e sobreviver. Moradora da colônia Bachini, consegue vir ao centro uma ou duas vezes por semana. Para sair e voltar para casa, são R$26 em passagens. “Com menos de R$50 tu não passa”, contabiliza. Pelo horário de saída e da volta, ela lembra a necessidade de almoçar no centro da cidade. Os dois são favoráveis à diminuição da tarifa e disponibilidade de mais horários para valer a pena para os usuários.

O processo
O governo pretende licitar todo o transporte rural com a tarifa igual ao serviço urbano, atualmente em R$3,35. Os ônibus terão bilhetagem eletrônica, GPS. As passagens serão subsidiadas pela prefeitura. O valor final da passagem, conforme o edital, era de R$7,12. Isto é, a prefeitura pagaria R$3,77 para completar o valor, ou 52,9% do total. O subsídio será oriundo do fundo criado a partir da cessão da gratuidade para idosos entre 60 e 64 anos. Segundo Flávio Al Alam, fundo teria entre R$500 mil e R$600 mil de saldo.

Uma das possibilidade é dividir a licitação o objeto da licitação em duas áreas. Dessa forma, duas empresas poderiam participar e ganhar contratos distintos. A alteração, explica Al Alam, pode ampliar o poder de participação para empresas menores. Ao invés de exigir da empresa 14 veículos titulares e dois reservas, por exemplo, seria exigido sete ônibus e um reserva para cada prestadora do serviço. “São medidas para atrair o interesse de mais empresas do ramo”, esclarece.

Outras mudanças são referentes à segurança sobre o recebimento de subsídios da prefeitura sobre o valor da passagem. Caso o poder público deixe de subsidiar as passagens pelo período de 60 dias, será cobrada a tarifa total, de R$7,12, para todos os usuários. Outra alteração diz respeito à exigência de capacidade técnica, que significa competência e experiência para executar o serviço. “São alterações pequenas e não vão mudar em nada o modelo que queremos”, avalia o secretário.

Não serão criadas novas linhas e adicionados horários, adianta. Apesar de esperar maior número de passageiros em função da baixa na tarifa, criação de linhas e horários irão depender da demanda de cada localidade.

Licitações vazias

- 9/janeiro - foi lançada a primeira licitação

- 9/fevereiro: nenhuma empresa apresentou proposta e a licitação foi considerada deserta

- 21/março: foi lançada a segunda licitação

- 26/abril: empresa solicitou esclarecimentos e licitação foi suspensa

- 7/maio: remarcada a abertura dos envelopes do segundo edital

- 11/maio: novamente nenhuma empresa apresentou proposta e a licitação foi  considerada deserta

 

A passagem mais cara

Wilson Müller - R$17,00

 

A passagem mais barata

KM 13 (Colônia Maciel) - R$4,40

 

Fundo criado com o fim da gratuidade para idosos entre 60 e 64 anos

R$500 a 600 mil

 

Fatores da tarifa

51,4% - mão de obra para operação

22,5% - óleo diesel

26,1% - outros componentes

 


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