Oncologia

Pacientes da região sofrem sem radioterapia

Problema em equipamento da Santa Casa de Rio Grande gera a angústia há quase duas semanas

10 de Julho de 2018 - 08h05 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Em Pelotas, radioterapia do Hospital-Escola da UFPel está suspensa desde dezembro de 2016

(Foto: Carlos Queiroz)

Em Pelotas, radioterapia do Hospital-Escola da UFPel está suspensa desde dezembro de 2016 (Foto: Carlos Queiroz)

Exatamente 68 pacientes da região estão com os tratamentos de câncer prejudicados. A preocupação, que já dura quase duas semanas, se deve a um problema no acelerador linear da Santa Casa de Rio Grande e deixa a comunidade sem radioterapia. Outras 42 pessoas também são diretamente atingidas, já que aguardam para iniciar as sessões. A expectativa é de que a manutenção do equipamento ocorra ainda esta semana.

Quem garante é o administrador do hospital, Régis Pinto e Silva. Contatos já foram efetuados com a empresa especializada, em São Paulo, e o conserto - calculado em R$ 80 mil - deve ser feito nos próximos dias. "É um aparelho de tratamento, não de diagnóstico, e precisa estar sempre calibrado", ressalta. E, mais uma vez, ressalta a abrangência regional da Santa Casa, referência a até 30 municípios na prestação de serviços de alta complexidade.

O argumento, inclusive, tem sido utilizado em tratativas com o Ministério da Saúde sobre a necessidade de mais um acelerador linear, visto que as máquinas são projetadas dentro de uma capacidade máxima por dia e, tanto a Zona Sul quanto a região da Campanha, sofrem com a falta do equipamento. Além de Rio Grande, só há o serviço em Pelotas.

Expectativa no HE-UFPel
Os pacientes oncológicos da região podem terminar o ano com boa notícia. A expectativa é de que até o final de 2018, o serviço de radioterapia do Hospital-Escola - suspenso desde dezembro de 2016, quando a bomba de cobalto perdeu a validade e foi desativada - seja retomado.

O bunker - estrutura onde o equipamento será instalado - já está pronto. A nova fase é de montagem do equipamento, que ainda precisará de etapa específica para medições que identifiquem se estará irradiando corretamente. "Acreditamos que até o final do ano a radioterapia esteja em funcionamento, na Faculdade de Medicina", projeta a diretora do HE, Vera da Silveira.

O projeto integra um plano de expansão dos serviços, deficitários no país, e todas as negociações são feitas com o Ministério da Saúde. A capacidade de atendimento será de 80 a cem pacientes por mês.

Santa Casa de Misericórdia de Pelotas, única referência local
As sessões de radioterapia no Ceron são as únicas realizadas em Pelotas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O serviço não é disponibilizado nem na rede privada. Atualmente, cerca de cem pessoas são atendidas por mês, embora o atual equipamento tenha quase 20 anos de uso.

A perspectiva de colocar um novo aparelho em operação terá de aguardar. A construção do bunker, prevista para terminar em agosto, está parada e ainda não há data definida para ser retomada. "A empresa que fazia a obra teve o contrato cancelado", explicou a administração do hospital, via assessoria de Imprensa. As negociações, portanto, são de responsabilidade do Ministério da Saúde.

A expectativa, entretanto, é de que com os planos concretizados, a Santa Casa tenha condições de elevar o número de pacientes. Não é possível, todavia, projetar prazos neste momento.

A posição da Secretaria de Pelotas
"Visto que toda a região funciona com limites de aparelho de radioterapia, então, qualquer um que falte, impacta em todos nós. E, evidentemente, quando falta em Pelotas impacta em Rio Grande, até porque a rede SUS é integrada. Então, toda a vez que falta em algum lugar a gente vai ter que sobrecarregar alguém com as nossas faltas".
Ana Costa, secretária de Saúde

 


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