Atlas da Violência 2018

Violência cresce no Rio Grande do Sul

Em Pelotas, a comparação entre os anos de 2006 e 2016 apresenta aumento de 343,7% nos homicídios

05 de Junho de 2018 - 20h29 Corrigir A + A -

Por: Giulliane Viêgas
giulliane.viegas@diariopopular.com.br

O Atlas da violência revela ainda que as principais vítimas são jovens com idades entre 15 e 19 anos no Brasil. Em Pelotas, no ano de 2016, a maioria tinha entre 16 e 30 anos, o que corresponde a 64,7% dos assassinados, destes 11% eram menores de idade. Em 2015, 45% das vítimas tinham idades entre 14 e 29 anos (Foto: Jô Folha - DP)

O Atlas da violência revela ainda que as principais vítimas são jovens com idades entre 15 e 19 anos no Brasil. Em Pelotas, no ano de 2016, a maioria tinha entre 16 e 30 anos, o que corresponde a 64,7% dos assassinados, destes 11% eram menores de idade. Em 2015, 45% das vítimas tinham idades entre 14 e 29 anos (Foto: Jô Folha - DP)

Com informações do Ipea

O Rio Grande do Sul é um dos dez estados do país que apresentaram aumento nos homicídios no período de 2006 a 2016, conforme aponta o Atlas da Violência 2018, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta terça-feira (5). O aumento dos crimes no Estado pulou de 18,1 para 28,6 pessoas assassinadas a cada cem mil habitantes, sendo a taxa nacional de 30,3 vítimas. Foram 1.983 homicídios em 2006, enquanto que em 2016 ocorreram 3.225 assassinatos. O número coloca o Rio Grande do Sul na 20ª posição entre os estados mais violentos em 2016.

No período, em Pelotas, 552 pessoas foram assassinadas. Em 2006, a cidade contabilizou 16 vítimas; onze anos depois, 71 pessoas foram mortas, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP). A comparação entre os anos de 2006 e 2016 apresenta aumento de 343,7% nos homicídios. O número é ainda maior se for comparado com o ano de 2015, quando o município registrou 109 assassinatos, o que representa elevação de, acredite, 581,2%.

O estudo aponta que no Brasil, entre 2006 e 2016, 553 mil pessoas perderam suas vidas devido à violência intencional. Entre 1980 e 2016, cerca de 910 mil pessoas foram mortas pelo uso de armas de fogo no país. Uma verdadeira corrida armamentista que vinha acontecendo desde meados dos anos 1980 só foi interrompida em 2003, segundo o relatório, com a sanção do Estatuto do Desarmamento. A realidade do país é a mesma da Princesa do Sul, em que, pelo menos, 85% das vítimas foram assassinadas a tiros.

O Atlas da violência revela ainda que as principais vítimas são jovens com idades entre 15 e 19 anos no Brasil. Em Pelotas, no ano de 2016, a maioria tinha entre 16 e 30 anos, o que corresponde a 64,7% dos assassinados, destes 11% eram menores de idade. Em 2015, 45% das vítimas tinham idades entre 14 e 29 anos.

A pesquisa mostra que a desigualdade racial nas mortes violentas acentuou-se no período analisado. De todas as pessoas assassinadas no Brasil em 2016, 71,5% eram pretas ou pardas. Naquele mesmo ano, a taxa de homicídios de negros foi duas vezes e meia superior à de não negros, 40,2 contra 16.

Além disso, a pesquisa observa um aumento de 6,4% nos assassinatos de mulheres no Brasil entre 2006 e 2016. No último ano analisado, ocorreram 4.645 homicídios em que as vítimas eram do sexo feminino. No RS, 2,5 mil mulheres foram assassinadas no período. Em Pelotas, de acordo com a titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), Maria Angélica Gentilini, o principal motivo para a violência praticada é a não aceitação do término do relacionamento.

Inédito
A edição deste ano do Atlas da Violência também aborda os registros administrativos de estupro no país. Em 2016, as polícias brasileiras registraram 49.497 casos de estupro, conforme informações do 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O número contrasta com os 22.918 incidentes desse tipo reportados no Sistema Único de Saúde.

 

 


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