Artes

De volta ao universo satírico de Fernando Duval

Artista plástico natural de Pelotas retorna à cidade para apresentar uma nova fase do seu mundo imaginário o Wasthavatahunn também conhecido como Wastha

25 de Maio de 2018 - 10h32 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Duval começou a criar as histórias em torno de Wasthavastahunn ainda nos anos 50 (Foto: Paulo Rossi - DP)

Duval começou a criar as histórias em torno de Wasthavastahunn ainda nos anos 50 (Foto: Paulo Rossi - DP)

Quem pensa que o único planeta habitado que se conhece é a Terra ainda não ouviu falar do Fahadoika. Orbitando na distante galáxia Washemin, com seu único continente habitado - o Wasthavastahunn - é uma espécie de avesso do que se vive por aqui. A melhor forma de entender a diversidade cultural desse habitat é vendo bem de perto. Quem faz o convite é o artista plástico Fernando Duval, que traz a Pelotas, em curtíssima temporada, a exposição Wastha, Zatha, Zaia (Wastha - três visões) de telas e desenhos da mais recente fase desse local em eterna transformação. A visitação ocorre hoje, a partir das 19h, e amanhã das 9h às 18h, no ateliê Eliza Andrade.

Wastha - três visões traz obras que apresentam a flora do planeta, as séries Dourada e Odisseia, com os principais personagens do planeta, na parte térrea da loja. No mezanino estão quadros sobre o Basaia Glau, que quer dizer o dia da prostituta, que é a data máxima do local. Um universo muito colorido e satírico que o artista desenvolve há mais de 50 anos e que já trouxe à Terra mais de 300 figuras.

Duval, que é pelotense, conta que começou a criar esse universo no final dos anos 50, no Rio de Janeiro onde mora até hoje. No início a produção era reservada a um círculo pequeno de amigos. Em 1972 foi estimulado por um crítico de arte a apresentar ao público toda a obra, foi quando fez a primeira exposição. "Aí eu fiquei preso nele e nunca mais consegui sair. E ele só cresce, o que posso fazer?", brinca, que há dois anos não expunha em Pelotas.

A personalidade irreverente e inventiva de Fernando Duval expressa por meio da galáxia Washemin, recheada de figuras bizarras com nomes sugestivos, um grande deboche a hipocrisia, ainda presente na sociedade, em relação a temas como sexo e as condutas sociais impostas, que escondem os reais desejos. "Eu sempre fui muito de dizer as coisas na cara. As pessoas são muito hipócritas, disfarçam as coisas, mentem. Dizem uma coisa e fazem outra."

Quanto a inspiração, Duval revela que desde criança se fascinava com as possibilidades infinitas do universo. "Eu acredito fortemente que devem existir mais de planetas habitados. Nosso planeta é mais um."

Muito mais do que um planeta habitado por figuras exóticas e que desfrutam de uma cultura extravagante para os padrões do planeta Terra, Duval deu a Fahadoika, uma língua própria (um deboche ao latim, que era obrigado a estudar na juventude), atmosfera, fauna e flora, tudo devidamente registrado para que ele mesmo não perdesse o fio da meada. Há três anos ele ganhou de presente de um sobrinho o registro em livro, o Guia ilustrado da flora wasthaniana, que mostra por exemplo a curiosa espécie Rebovia Watthis, planta usada para desacato. Um exemplar da obra será sorteado no sábado.

Carreira
Duval fez os primeiros estudos em arte na Escola de Belas Artes de Pelotas. Aos 19 anos se mudou para o Rio de Janeiro, onde foi estudar no Museu de Arte Moderna (MAM), onde aprofundou conhecimentos e bebeu na fonte de grandes nomes da época, como o mestre Ivan Serpa. A obra transita entre o abstrato e o figurativo, em um traço limpo, suave e imagens coloridas e vivas, em que utiliza diferentes técnicas, como nanquim, tinta acrílica, quache e aquarelas.

Serviço
O quê: exposição Wastha, Zatha, Zaia (Wastha - três visões) de Fernando Duval
Quando: abertura hoje, às 19h, prossegue amanhã das 9h às 18h
Onde: ateliê Eliza Andrade, rua Voluntários da Pátria, 828
Entrada franca

 


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