Saúde

Falta de recursos atrasa atendimentos na traumatologia

A Santa Casa é o único hospital que atende a especialidade via SUS na cidade

13 de Abril de 2018 - 10h40 Corrigir A + A -
A aposentada Mara Burguez aguarda pela cirurgia desde o dia 25 de março

A aposentada Mara Burguez aguarda pela cirurgia desde o dia 25 de março

Longa espera para cirurgias, número de leitos extrapolado e problemas que acabam se agravando. Este é o cenário encontrado pelos pacientes que aguardam por operações no setor de traumatologia da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas. Além de problemas com o aparelho de radiografia e com as duas autoclaves ocorridos nos últimos meses, o hospital agoniza com a falta de verba para a compra de materiais.

A aposentada Neli Goulart sente na pele o problema. Internada desde o dia 13 de março devido a fraturas no ombro esquerdo e no pulso direito, reclama da demora no atendimento. "As enfermeiras e os médicos são ótimos, mas o SUS é lento. Cadê o dinheiro dos impostos?", questiona. A cirurgia dela estava marcada para a semana passada, mas as duas autoclaves do hospital estragaram e os procedimentos foram suspensos. O aparelho serve para esterilizar o material utilizado.

Há outras oito pacientes no quarto em que Neli está internada. Entre elas está a aposentada Mara Burguez, internada desde o dia 25 de março quando caiu e machucou o joelho. Ela já havia tido uma isquemia há seis anos que deixou sequelas na perna. Com o membro imobilizado e sem sair da cama há 19 dias, ela já sente as consequências. "Minha perna dói muito e está sempre dormente", reclama.

Tabela defasada

O provedor da Santa Casa Lauro Ferreira fala que o motivo para a demora no atendimento é a falta de dinheiro. A dívida de todas as Santas Casas do país gira em torno dos R$ 22 bilhões. O principal motivo para tanta escassez de recursos, segundo ele, é a defasagem da tabela de valores do SUS, que não é atualizada há 14 anos. A diferença entre o dinheiro repassado e o gasto acaba sendo coberto pelos hospitais. "Essa demora não poderia ser normal. Nós queríamos que fosse mais rápido, mas falta verba", pontua.

Tanto o aparelho de radiografia quanto as autoclaves já foram consertados. A falta de dinheiro acaba prejudicando a compra de materiais para a realização das cirurgias e de remédios. Os 32 leitos reservados para a traumatologia no SUS também já não são mais suficientes. Lauro calcula que 58 pessoas estejam internadas na especialidade, ocupando leitos inicialmente destinados a outras áreas.

A prioridade a casos mais graves também acaba por atrasar as cirurgias de quem já está internado. Se chega algum paciente com fraturas graves, ele é encaminhado diretamente ao bloco cirúrgico. Caso não existisse este tipo de atendimento, essencial ao município, o hospital conseguiria realizar quatro cirurgias por dia de pacientes já internados. Porém, este número varia de acordo com o movimento no hospital.


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