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Pelotas recebe a 1ª Mostra de Cultura Popular Afro-Gaúcha

12 de Abril de 2018 - 11h17 Corrigir A + A -
Evento iniciou em Jaguarão, onde ocorreram atividades como aula de percussão (Foto: Bárbara Vaz/Especial DP)

Evento iniciou em Jaguarão, onde ocorreram atividades como aula de percussão (Foto: Bárbara Vaz/Especial DP)

Pelotas, a mais negra das cidades gaúchas, ainda não reconhece a cultura de matriz africana como própria. Aceitou mais, nos últimos anos, mas ainda são marginalizadas manifestações artísticas oriundas do povo negro. Com realização entre 12 e 15 de abril na cidade, a 1ª Mostra de Cultura Popular Afro-Gaúcha busca alterar o cenário, um pouco que seja.

O projeto surgiu a partir da ideia de divulgar a produção da cultura negra no Rio Grande do Sul - em particular o trabalho desempenhado pelo Afrosul Odomode, espaço da Azenha, em Porto Alegre, com objetivo de transmitir conhecimentos e de resistir enquanto negro no Estado. A oportunidade de fazer a iniciativa real veio com a aprovação no edital FAC Regional, membro do sistema Procultura-RS, da Secretaria de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer.

Com o financiamento, a proposta cresceu, envolvendo cidades de diferentes regiões do Rio Grande do Sul com o intuito de estimular a produção material e imaterial da cultura popular negra. A primeira edição, em Jaguarão, mobilizou 150 profissionais entre artistas, estudiosos, pesquisadores e produtores culturais e abrangeu oficinas, aulões abertos, workshop, debates e momentos de confraternização como desfile e almoço típico.

Está entre os grupos participantes o Alabê Oni, cujo objeto de estudo são os tambores e outras características musicais da fusão da África com o Rio Grande. Também fará parte da programação o Restinga Crew, equipe dona de carreira sólida e respeitada dentro da dança na capital gaúcha, e o grafiteiro Trampo, um dos precursores desta arte no Brasil.

De acordo com a produtora cultural Luana Khodja, coordenadora geral do projeto, a mostra pretende contribuir, através da cultura, para a diminuição da desigualdade racial. Para tal, pretende-se como ponto de encontro de diferentes expressões negras. "A segregação só acaba quando todos são realmente iguais, quando a arte e a cultura são valorizadas e reconhecidas como presença histórica de um povo", afirma.
Luana explica que valorizar a cultura negra é importante nesta luta tendo em vista todo o processo de abafamento que vertentes artísticas fruto da miscigenação da África com o Brasil sofreram, principalmente no Rio Grande do Sul, estado que historicamente iluminou mais a herança de italianos e alemães do que a oriunda dos escravos que para cá vieram contra a vontade - menos ainda dos indígenas, que aqui estiveram antes de todos.

Ainda mais em Pelotas, a mais negra das cidades gaúchas - embora não pareça ter orgulho disso ainda. "Realizar a mostra em Pelotas é uma formka de homenagear a luta e a produção cultural de raiz africana.

Confira a programação completa aqui

Serviço
O quê: 1ª Mostra de Cultura Popular Afro-Gaúcha
Quando: de 12 a 15 de abril
Onde: diversos espaços da UFPel e do município
Entrada franca


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