Sustentabilidade

Desfile lança vestuário do Kanimambo

Projeto do Procultura apresenta produção hoje, com desfile da coleção primavera/verão no Mercado Central

29 de Março de 2018 - 08h10 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Senegaleses, familiares e amigos se mobilizaram para aprender a costurar e fazer as modelagens (foto: Bathie Fall-especial DP) (Foto: Divulgação - DP)

Senegaleses, familiares e amigos se mobilizaram para aprender a costurar e fazer as modelagens (foto: Bathie Fall-especial DP) (Foto: Divulgação - DP)

Seis meses depois do início do projeto Kanimambo - Ateliê de vestuário Africano, nesta quinta-feira (29) o grupo de imigrantes senegaleses que vive em Pelotas celebra o lançamento da primeira coleção desta marca artesanal. O evento, com desfile de roupas e acessórios ocorrerá no Mercado Central a partir das 17h, com discotecagem da DJ Helô.

O projeto Kanimambo é o primeiro aprovado no eixo Moda do Procultura municipal, com proposição de Ediane Oliveira, produção executiva de Vinícius Britto Moraes e coordenação do ateliê de Bathie Fall. O objetivo é fomentar sustentabilidade e apontar um horizonte menos hostis e mais esperançosos para permanência destes imigrantes, por meio de uma atividade que evoca origem cultural deles.

Desde setembro, o grupo de cerca de dez senegaleses, familiares e amigos se uniram para a produção do material. Para por a mão no trabalho, eles tiveram de aprender a costurar e modelar os vestuários, com a ajuda das oficineiras a estilista Joana de Leon, Eloína Siqueira e costureira Carmen. As roupas e assessórios tem como matéria prima a capulana, um tecido em algodão com estampas coloridas que rementem a cultura ancestral africana.

O nome Kanimambo vem de palavra de dialeto de Moçambique e significa obrigado. A proponente diz que o projeto vai além da moda. "Antes vem a manifestação cultural popular, folclórica, a sobrevivência, que é a geração de trabalho e renda e a valorização étnica e da cultura africana, que Pelotas muito tem na sua história."

As situações de violência que envolveram este imigrantes também motivaram a criação do projeto, lembra Moraes. "É um projeto de vida um senegalês vir para cá. É um desafio, uma missão e todos têm visto, estão legais. Essa é uma forma de dar empoderamento a eles e ao mesmo tempo dar algo que eles se sintam motivados", fala Vinicius Moraes.

Próximos passos
Para este desfile foram produzidas cerca de 30 peças de vestuário, 15 bolsas e 30 brincos, que serão comercializados a partir do desfile desta quinta-feira. Segundo os organizadores, esta é uma primeira leva do produtos que irão balizar os próximos passos da produção.

A ideia é perceber a demanda e focar naquilo que realmente o público consumidor vai pedir mais. Independentemente deste direcionamento, o núcleo está aberto, a partir de sugestões dos clientes, a produzir modelagens com os tecidos africanos.

Os produtos artesanais deverão ser comercializados também em banca no calçadão. "Eles vão se somar aos artesãos que vendem seus brincos e colares. A ideia é dar essa legalidade já que eles estão impedidos de venderem mercadorias que não são feitas pelas mãos deles, que agora eles possam vender", diz Ediane.


Serviço
O quê: desfile Kanimambo Ateliê de Vestuário Africano
Quando: nesta quinta-feira (29), a partir das 17h
Onde: no Mercado Central


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