Mobilização

Cobrança no plano de saúde dos servidores é referendada pelo TST

Decisão deve f azer com que os servidores que entraram em greve nesta segunda-feira retornem ao trabalho

12 de Março de 2018 - 18h05 Corrigir A + A -

Por: Tânia Cabistany
taniac@diariopopular.com.br 

Movimento pode durar apenas 24 horas com a decisão do TST  (Foto: Gabriel Huth - DP)

Movimento pode durar apenas 24 horas com a decisão do TST (Foto: Gabriel Huth - DP)

Os servidores dos Correios terão de desembolsar cerca de R$ 400,00 ao mês para pagar o plano de saúde, mais as taxas pelos serviços utilizados. A decisão foi referendada na segunda-feira (12) pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) e deve provocar o fim da greve iniciada nesta segunda-feira em todo o país. A categoria avalia terça a decisão e os impactos, mas deve retornar ao trabalho, ainda que desmotivada pelo resultado do julgamento.

O delegado sindical do Centro de Distribuição Domiciliar (CDD), Luiz Antônio Machado, relata que muitos colegas estão desgostosos e já pensam em cancelar o plano de saúde, pois o valor vai pesar no bolso. "Está complicado para o nosso lado", comenta. Até então, pagavam apenas entre 10% e 20% pelos serviços que usavam. "A empresa está na reta da privatização e muitos funcionários vão ficar desempregados", acrescenta.

A greve teve nesta segunda em Pelotas teve a adesão de 70% dos servidores dos Correios. Conforme Machado, funcionaram o setor de encomendas, que trabalhou com a metade do efetivo, e o de cartas, com 30%. A previsão inicial era de que se o movimento continuasse por mais dias ocorresse acúmulo considerável de correspondências, que já estavam chegando a Pelotas com dois ou três dias de atraso e um tempo de entrega nas residências de cinco dias.

Além de motivada pelo risco da perda da isenção da mensalidade ao plano de saúde, a greve foi deflagrada pelo número reduzido de funcionários, o cancelamento de férias e a intenção da direção dos Correios de implantar a entrega alternada de correspondências. Segundo a direção da Subsede em Pelotas do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do Rio Grande do Sul (Sintec-RS), desde 2011 não foram feitas novas contratações e só nos últimos anos saíram 14 mil trabalhadores em todo o Brasil.

O funcionário público Carlos André Goulart, 42, considera que os trabalhadores têm de exigir seus direitos, até porque sua avaliação é de que o serviço público está cada vez mais sucateado. "Está rumando para a privatização. O povo tem que se unir", diz ele, atendido ontem no CDD da praça 20 de Setembro, um dos pontos de concentração da categoria mobilizada, assim como o do bairro Três Vendas.


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