Recuperação

"A fé das pessoas me manteve vivo", diz Tales Nobre

Policial baleado no Shopping Pelotas, retorna para casa após 20 dias no Hospital da BM, em Porto Alegre

20 de Abril de 2017 - 19h44 Corrigir A + A -

Por: Giulliane Viêgas
giulliane.viegas@diariopopular.com.br

Tales Nobre passou 20 dias internado no Hospital da Brigada Militar, em Porto Alegre, e passou por cirurgia para retirada do projétil que estava alojado em sua cabeça (Foto: Jô Folha - DP)

Tales Nobre passou 20 dias internado no Hospital da Brigada Militar, em Porto Alegre, e passou por cirurgia para retirada do projétil que estava alojado em sua cabeça (Foto: Jô Folha - DP)

A cicatriz escondida debaixo do boné revela um mês de luta pela vida. A marca levanta questionamentos até de quem diz não ter crença alguma e custa a acreditar: como estou vivo? Uma das perguntas que Tales Nobre, 28 anos, tem feito a si quando se vê nas fotos tiradas por populares após o assalto à joalheria do Shopping Pelotas no dia 20 de março. Na última quarta-feira, o policial militar do 4º BPM baleado na cabeça durante tentativa de intervir no roubo retornou a Pelotas após 20 dias internado no Hospital da Brigada Militar (HBM), em Porto Alegre.

Tales sente-se bem. Às vezes um pouco cansado e sonolento devido à cirurgia a qual foi submetido. O projétil segue alojado em sua cabeça. Por sorte, segundo laudo médico, a bala não atingiu nenhuma região do cérebro que pudesse comprometer seu raciocínio e sua memória. Para o policial é como se tivesse recebido uma segunda chance de viver. "Eu acho que estou vivo por conta da fé que as pessoas depositaram em mim, pelo amor da minha família. Isso fez com que eu não desistisse da minha vida", disse.

O policial diz que lembra de poucas coisas do ocorrido. Recorda apenas de um vigilante do Shopping anunciar: "Assalto, assalto". A partir desse momento, segundo ele, agiu por instinto. "É engraçado porque eu não lembro de muita coisa que aconteceu depois que eu ouvi o vigilante falar. Eu sei que eu cheguei falando no hospital porque as pessoas me comentaram. Eu falei até com a minha esposa e não me recordo", comentou esboçando um sorriso no rosto.

Apesar do susto, Tales não pensa em desistir da Brigada Militar (BM). Ele pretende seguir sua carreira na corporação e continuar os estudos na faculdade de Direito. Durante conversa com o Diário Popular, Tales disse que quando decidiu ser PM estava sujeito a tudo em favor da comunidade. "Minha vida vai continuar normal. Vou seguir fazendo minha atividade em prol da segurança dos outros", contou ao agradecer pela força e o apoio enviados quando estava em tratamento. "Isso não tem preço. O carinho das pessoas comigo e com minha família mostra que ainda existem pessoas boas. Que tudo ainda vale a pena", disse. Tales ainda não tem previsão de retorno ao trabalho.

O pai do militar e policial civil, Eliseu Silva, afirmou que, naquele dia, viu sua vida desmoronar em segundos. "Perdi o chão. É o pior sentimento que um pai pode sentir. Não perdi a esperança em nenhum momento e mantive minha fé de que meu filho iria se recuperar logo", comentou Eliseu emocionado ao ver a rápida recuperação do primogênito. Tales se manteve lúcido durante todo o tratamento.

Investigação
A Delegacia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Captura (Defrec) segue apurando o caso. O titular da Especializada, Rafael Lopes, não deu detalhes do caso, mas disse que a polícia tem suspeitos e duas linhas de investigação.

No dia 21 de março um suspeito de participar do assalto ao Shopping foi preso no Laranjal em uma ação conjunta entre a Polícia Civil, a Brigada Militar e a Guarda Municipal. D.J.S. era foragido da Justiça pelo crime de assalto à mão armada e contra ele havia um mandado de prisão expedido pela Justiça.

Relembre
Os bandidos chegaram ao estabelecimento vestindo terno e gravata e anunciaram o assalto. Após consumar o roubo, eles fugiram levando duas peças do mostruário da joalheria. Durante a fuga, se depararam com o PM à paisana no estacionamento do centro comercial. Tales, então, abordou os criminosos que reagiram e efetuaram disparos contra o militar, que revidou. A dupla entrou em um Renault Logan que a aguardava na avenida Ferreira Viana. Horas depois, dois veículos que teriam sido usados pelos criminosos foram localizados pela polícia.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados