Grãos

Uma supersafra de R$ 2,8 bilhões

Verão de chuvas regulares provoca safra histórica em área de plantio, produtividade e produção final

14 de Abril de 2017 - 08h18 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Tânia Cabistany
taniac@diariopopular.com.br 

O produtor rural Carlos Alberto Iribarrem Júnior prevê que 20% da colheita em sua lavoura terá que ser estocada nos armazéns do porto: falta silos para armazenar tantos grãos (Foto: Paulo Rossi - DP)

O produtor rural Carlos Alberto Iribarrem Júnior prevê que 20% da colheita em sua lavoura terá que ser estocada nos armazéns do porto: falta silos para armazenar tantos grãos (Foto: Paulo Rossi - DP)

Grãos de soja colhidos em propriedade rural nas proximidades de Pelotas; preço ainda não agrada os produtores (Foto: Paulo Rossi - DP)

Grãos de soja colhidos em propriedade rural nas proximidades de Pelotas; preço ainda não agrada os produtores (Foto: Paulo Rossi - DP)

A Zona Sul do Estado será responsável por uma supersafra de grãos de soja, arroz irrigado e milho silagem. No total, mais de R$ 2,8 bilhões devem circular na região. A safra 2016/2017 será histórica em área de plantio, produtividade e produção final. Muitos desses grãos, no entanto, estão armazenados nas propriedades e em cerealistas à espera de melhores negócios. Há arroz estocado ocupando espaço que já seria da soja, cuja safra deverá superar as expectativas iniciais, passando de 887 mil toneladas para mais de um milhão de toneladas.

Segundo o produtor rural Carlos Alberto Iribarrem Júnior, essa é a situação de 70% a 80% dos agricultores, diferentemente da sua e de seu pai, que têm secagem própria e, como já esperavam uma safra boa, reservaram espaço na unidade para receber a soja. “Um pouco a gente vai ter que colocar no Porto”, diz, ao explicar que ficaram sem lugar apenas para 20% da produção.

O indicador de safra boa de soja é um verão de chuvas regulares. Já no ano passado o produtor conta que perdeu a colheita, porque choveu muito em abril. A quebra na safra foi de 40%. Iribarrem Júnior confirma que os preços da soja também estão baixos, como do arroz. Atribui à baixa valorização do dólar. O preço do arroz baixou R$ 10,00 em 60 dias. Muitos produtores não plantaram este ano por causa da colheita fracassada no ano passado.

O fato é que há concentração de produtos na mesma época e os produtores não têm estrutura de secagem e colocam a carga na indústria. O volume fica muito alto e acaba baixando o preço, explica Iribarrem Júnior. Segundo ele, historicamente o arroz teve melhores preços no segundo semestre e a ideia é tentar segurar até lá. Quem produz soja e arroz deve comercializar primeiro a soja. “Falar de mercado é muito complicado para o produtor de uma maneira geral. Muitas vezes os números são bons de colheita e a rentabilidade é menor que em anos de produção maior”, comenta.

O responsável pelo armazenamento do arroz na MH Cereais e Panfler, Danilo Pereira, acredita que as duas empresas foram as mais atingidas com essa supersafra de grãos, pois tinham firmado contrato com um cliente e acabaram armazenando apenas a soja dele. “Está uma dor de cabeça incrível. Tem muito arroz para receber, vindo muito de fora, principalmente de Santa Vitória do Palmar. Estamos lotados de arroz”, relata.

Dos 12 silos, quatro foram reservados para soja, mas já foram usados mais dois para arroz e deve ficar só um para soja. “Estamos antecipando os carregamentos, mas não está dando”, acrescenta. Normalmente são armazenados lá 200 mil sacos de soja e este ano não passará dos 35 mil.

Filas para entrega da safra em cerealistas
De acordo com o assistente técnico regional de Sistemas de Produção Vegetal da Ascar/Emater-RS, engenheiro agrônomo Evair Ehlert, o arroz está com a colheita bastante adiantada, com 70% da área total colhida, a soja com 25% colhidos e o milho, 18%. Os valores da saca, no entanto, deixam os produtores apreensivos, pois com os custos elevados das lavouras, a renda líquida final para o produtor deixa a desejar.

Ehlert assinala que em alguns cerealistas há filas para entrega da safra, o que ocorre dentro do esperado, para o período curto de colheita. Observa que a soja é um grão que requer atenção redobrada, pois estando pronta deve ser colhida imediatamente para evitar perdas por impossibilidade de não conseguir entrar nas áreas devido ao excesso de umidade no solo, por grãos mofados, ardidos e outros defeitos devido ao tempo de exposição prolongado às intempéries.

As produtividades médias até o momento são históricas. Confira

Arroz irrigado
Com 9.250kg/hectare ou 185 sacos/hectare, saco de 50kg. Já foram colhidos 70%.

Soja
Com 3.300kg/hectare ou 55 sacos/hectare, saco de 60kg. Já foram colhidos 25%.

Milho silagem
Apesar da pouca área colhida, tem média de 6.600kg/hectare ou 110 sacos/hectare, saco de 60kg. Já foram colhidos 18%.

Valores
Valores monetários que circularão na região devido aos preços do saco de cada um dos grãos:

Arroz irrigado
R$ 39,90 por saco de 50kg
Área total: 198.419 hectares x 9.200kg/hectare (9,2 toneladas/hectare) = 1.825.455 toneladas x R$ 798,00 (50 sacos x 39,90) = preço por tonelada R$ 798,00 =
Valor total da produção estimada:R$ 1.456.712.930,40

Soja
R$ 64,00 por saca de 60kg
Área total: 332.767 hectares por 3.300kg/hectare
Valor total da produção estimada: R$ 1.171.332.519,00

Milho grão e silagem
R$ 25,00 por saco de 60kg
Área total: 70.199 hectares 
Valor total da produção estimada: R$ 192.970.031,00


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