Tranquilidade

Sem pressa, na maior curtição

Aluguel de triciclos cai no gosto popular dos frequentadores do Laranjal

13 de Janeiro de 2018 - 08h00 Corrigir A + A -
Aluguel para passeio é de R$ 10,00 por pessoa em meia-hora (Foto: Jô Folha - DP)

Aluguel para passeio é de R$ 10,00 por pessoa em meia-hora (Foto: Jô Folha - DP)

Sozinho ou acompanhado, passeio é opção de lazer (Foto: Jô Folha - DP)

Sozinho ou acompanhado, passeio é opção de lazer (Foto: Jô Folha - DP)

Uma bicicleta inclusiva ou coletiva. Famílias inteiras, casais ou grupo de amigos. Em São Lourenço do Sul, André Nunes conheceu o veículo com pedais, três rodas e dois assentos. Alguns ainda funcionavam como reboques para outros menores plugados atrás. Visualizou uma oportunidade de negócios para Pelotas.

Contatou o amigo Igor Pontes e juntos começaram o Beach Bike, aluguel de triciclos coletivos na praia do Laranjal, em março do ano passado. Em novembro, para a temporada de verão, conseguiram o alvará junto à prefeitura e hoje ocupam o espaço na avenida Antônio Augusto Assumpção Júnior quase na esquina com a rua Porto Alegre, na beira da praia. A atração diverte idosos, turistas, jovens. Pessoas que vão para “aproveitar a praia”, nas palavras de Igor.

Os veículos, Triciclo Família - para duas pessoas - e Triciclo Praiano - para uma, mas com possibilidade de engate para outros -, chama a atenção de quem frequenta a praia. Eles foram criados pelo paulista Sérgio Ribeiro, em 1993, após o empresário sofrer um acidente e perder parcialmente o movimento de uma das pernas. A ideia solidária, que permite a pessoas portadoras de deficiência aproveitar a pedalada, se transformou em negócio. Hoje ele é dono da empresa Dream Bikes, detentora da patente dos veículos. Foi de lá que Igor e André adquiriram as 36 unidades que disponibilizam no Laranjal, com preços entre R$ 1,3 mil e R$ 2,8 mil.

O veículo funciona da seguinte forma: no Praiano, com banco simples, o da frente é o responsável por guiar. Os de trás têm apenas o trabalho de pedalar. Quanto mais gente pedalando, mais ele anda. Nos veículos com banco duplo, o da esquerda tem o guidão. Na direita apenas o pedal e, na frente, dois bancos para as crianças. Estes também têm a opção de rebocar outros triciclos, quase como um trenzinho.

O aluguel para passeio é de R$ 10,00 por pessoa em meia-hora. No entanto, há flexibilidade. O cliente pode optar por andar menos ou mais tempo, com a adaptação do preço. Há apenas duas determinações: que sejam pelo menos duas pessoas - podendo chegar a nove - e que o trajeto se limite à avenida Antônio Augusto Assumpção Júnior. No calçadão, nem pensar. A multa, segundo Eduardo Nunes, filho de André e um dos mais entusiastas do negócio, é de R$ 500,00. 

Um dos sócios, Igor Pontes, trabalha em uma esquadria durante a tarde. Pouco antes das 18h ele já está em casa, a cinco quadras da praia, para começar o transporte dos triciclos. Geralmente ele e Eduardo levam os veículos pedalando. Os dois parecem se divertir tanto quanto os clientes. Enquanto explica o funcionamento dos tricliclos, dando as recomendações para que não haja “acidentes”, Igor fala de novas ideias, entre elas a de colocar uma prancha sobre os bancos. “O pessoal aproveita muito, sai de comboio, por vezes nove bicicletas enfileiradas, uma engatada na outra. Muitos ficam em pé nos bancos para curtir. Pensei na prancha para que haja segurança e ninguém se machuque.”

Máscaras e Carnaval
Outra ideia, esta já em prática, é emprestar máscaras para os clientes. Do Pânico - personagem de filme de terror -, a Raul Seixas, passando por chapéu de bombeiros, tiara com pelúcia e óculos de brinquedo. É comum encontrar Igor e Eduardo mascarados na volta dos triciclos. “Com a proximidade do Carnaval, tivemos essa ideia. Queremos agora adquirir também mais máscaras”, projeta Igor. “Tem também o pau de selfie”, lembra Eduardo. “É, o pessoal gosta de tirar fotos no passeio, então emprestamos um pau de selfie”, confirma Igor.

No dia a dia, de sábado a sábado a partir das 18h no verão, por dias até a 1h da madrugada, e aos fins de semanas no inverno, Igor e Eduardo testemunham histórias. Há também o chamado bonde da terceira idade. Quatro senhoras, uma delas com Alzheimer, são clientes fiéis. “Também tivemos clientes cubanos e notamos que há um número crescente de argentinos.”

Como os triciclos permitem a inclusão de pessoas portadoras de deficiência, Igor teve a ideia de promover um passeio com alunos da Escola Louis Braille. Projeto que ainda está em tratativas.


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