Insetos

A estação dos cupins

Momento de reprodução faz com que eles se tornem mais visíveis

12 de Janeiro de 2018 - 20h23 Corrigir A + A -
 “Serragem” indica a presença de alguma colônia (Foto: Paulo Rossi - DP)

“Serragem” indica a presença de alguma colônia (Foto: Paulo Rossi - DP)

Verão é a época dos cupins. Tradicionalmente, neste período o inseto aparece mais e isso traz preocupação a parte da população, por serem danosos a objetos de madeira. O momento de reprodução faz com que eles se tornem mais visíveis.

O porteiro Mauro da Costa Silva é uma das pessoas cuja rotina é afetada pelos cupins. No prédio onde trabalha é comum ver a existência de restos de madeira próximos a móveis e asas caídas em cantos das salas. Houve até mesmo casos de móveis sendo removidos por excesso de orifícios feitos pelos insetos. “A infestação está forte, o pessoal tem reclamado muito”, comenta. Apesar de ter aplicado inseticida nos locais, eles não foram extintos.

A explicação, segundo o biólogo Juliano Duarte, doutor em Parasitologia e professor do IFSul em Jaguarão, está na concepção de comunidade dos cupins. Assim como formigas e abelhas, eles são insetos sociais, fazendo ninhos e vivendo como se fossem uma família. Dividida em três castas, seu ninho é formado por operários, soldados e rainha. Nessa época, parte dos operários adquire asas e sai, sendo este o único momento de saída em suas vidas.

Após estarem alados, eles acasalam e quando formam casais procuram formar outra colônia em uma madeira. Segundo Duarte, o Cryptotermes brevis, comumente conhecido como cupim de madeira seca, procura justamente esse tipo de ambiente, entrando através de rachaduras. Após isso, eles costumam viver o restante de suas vidas dentro da peça.

Os famosos buracos de cupim, segundo o biólogo, na verdade são orifícios criados para depositar as fezes do inseto, sendo elas o “pozinho” encontrado próximo a móveis. Eles, na verdade, são madeira digerida, não representando riscos à saúde humana, assim como os cupins em geral.

Mas afinal, como combater?
De acordo com o biólogo, a difícil eliminação se dá porque, mesmo com a morte das rainhas, essa espécie urbana de cupins possui “falsos operários”, capazes de tornarem-se férteis e passarem a comandar o ninho. Por isso, caso sobre um grupo, mesmo pequeno, eles podem reproduzir-se e retomar a comunidade. 

Uma das dicas sugeridas por Juliano é o tratamento térmico para peças pequenas de madeira. Em temperaturas baixas, eles não resistem e acabam morrendo. Já objetos maiores, apenas a dedetização é capaz de combater a presença.

Sérgio Barbier é diretor de uma empresa de dedetização há 27 anos. Apesar de parte da população acreditar na maior incidência neste verão, ele não vê maior demanda na contratação de seus serviços para este tipo de inseto. Ainda assim, o combate ao cupim é o serviço mais requisitado neste verão.

Barbier sugere a compra de madeiras já tratadas como prevenção para a incidência de cupins. No entanto, há também a ação preventiva, quando é pulverizado o inseticida nos orifícios tentando combater o inseto. Para ele, o maior problema é quando o cupim traz risco estrutural, instalando-se em áreas como telhados. Para isso, sugere a rápida ação de combate.


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