Viagem

Aventura a pé em percurso de dez mil quilômetros

Aposentado inicia nesta sexta uma caminhada pelo litoral brasileiro, entre o Chuí (RS) e o Oiapoque (AP)

12 de Janeiro de 2018 - 10h30 Corrigir A + A -

Uma história que mistura religião e amor por aventuras está prestes a começar no extremo sul do país. O ponto final deve ser dado daqui a 500 dias e dez mil quilômetros, no Oiapoque (AP). Como instrumento de escrita não poderia ter sido escolhida ferramenta mais simples: os próprios pés. Carregando quase 25 quilos de bagagem, essa é a expedição programada pelo paulistano Edson Sorrentino, 58. Ele almeja percorrer, a pé, o mais longo trajeto brasileiro. Toda a aventura de Edson Sorrentino pode ser acompanhada através da página Expedição Litorânea e no canal no YouTube.

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A viagem deve iniciar nesta sexta-feira (12) no Chuí. Todo o trajeto será percorrido pelo litoral brasileiro, atravessando as 2.095 praias existentes. Ele deve passar pela Lagoa dos Patos já nos próximos dias. A meta do aposentado é andar, em média, 25 quilômetros por dia. Por ser adventista, ele irá dedicar os sábados à religião e não à caminhada. Foi a fé, inclusive, que deu o pontapé necessário ao início do planejamento da jornada. Quem explica é sua esposa, Zilda Sorrentino. “O Edson sonhou que fez essa viagem em 40 dias”, revela. O número 40, conta, possui diversos significados bíblicos. Ambos sentiram que aquilo era um chamado à aventura.

Começaram, então, a preparação. Edson já possui treinamento físico e experiência em caminhadas e escaladas. No currículo, carrega empreitadas em locais como o Pico da Neblina (AM), Monte Aconcágua (Argentina), Mont Blanc (França) e o Monte Kilimanjaro (Tanzânia). Também deu a volta completa em Ilhabela (SP) e na Ilha de Santa Catarina, ambas a pé. Outras experiências incluem caminhadas por parques nacionais, estaduais e reservas.

O principal apoio à jornada de Edson é sua esposa. Foi ela quem ajudou a planejar a expedição, desde a escolha dos alimentos a serem consumidos até a separação dos materiais levados. Na mochila, o aventureiro carrega barraca, saco de dormir, isolante térmico, fogareiro, panelas, roupas, bússola e equipamentos de primeiros socorros. O primeiro imprevisto do trajeto aconteceu antes mesmo do começo: a barraca do aposentado estragou. Quem resolveu a situação foi Zilda e ambos esperam que o novo item chegue ao Chuí ainda nesta sexta para, então, iniciar o percurso. Edson está no Sul desde o início da semana e, antes de começar o trajeto, visitou algumas cidades do Uruguai.

O casal combinou de se ver a cada dois meses. O primeiro encontro deve ocorrer em março na cidade de Florianópolis (SC). Os quatro filhos de Edson também devem alcançá-lo no decorrer do trajeto e caminhar alguns quilômetros com o pai. Gente de todo o país entrou em contato com o expedicionista para acompanhá-lo em partes do caminho. Apesar de a viagem ter sido planejada para uma pessoa, Edson convida os interessados na caminhada a percorrer algumas horas - ou dias - com ele.

Os primeiros desafios da viagem devem surgir no início do caminho, na praia do Cassino. A orla tem 254 quilômetros de extensão e Edson espera levar 15 dias para vencê-la. Nesse tempo, ficará sozinho e precisará carregar toda a alimentação necessária. A Baía de Guanabara (RJ) e a travessia para o Parque Nacional do Cabo Orange (AP) também são classificados como as partes mais difíceis do trajeto. Outros pontos do percurso exigirão que o aposentado utilize barcos para a travessia, como a ilha de Marajó (PA).

Mas não são só momentos difíceis que irão compor a viagem sonhada por anos. Edson conta que tem vontade de conhecer todos os fortes e os faróis da costa brasileira, além de todas as praias. Em Osório (RS), o aventureiro viverá um de seus principais momentos. “Irei subir a serra até Canela (RS) e seguir pela borda dos Cânions até o Parque Estadual de Tabuleiro (SC). Depois, desço em Palhoça (SC)”, explica, caracterizando o trecho como uma “supertrilha”.

O percurso poderia durar um ano, mas Edson acrescentou quatro meses no tempo final. A duração foi estendida para que o viajante pudesse agregar à caminhada conhecimento sobre os diferentes povos brasileiros e suas culturas. “Gosto de conhecer lugares, histórias, culturas e pessoas. Somente caminhando conseguimos fazer isso por inteiro”, acredita. O aventureiro está confiante com a empreitada. “Sei que é perigoso e vou encontrar muitos obstáculos, mas isso faz parte da vida. Tenho confiança em mim e nas pessoas que vão me acompanhar em alguns trechos”, finaliza.


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