Prédio histórico

Do luxo à realidade

Famoso estabelecimento inaugurado em 1953, que hospedou figuras ilustres, Rex Hotel resistiu até bem pouco tempo, passando por vários donos

12 de Janeiro de 2018 - 06h30 Corrigir A + A -

Por: Tânia Cabistany
taniac@diariopopular.com.br 

Vista de um dos quartos, de frente para a Praça Coronel Pedro Osório (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Vista de um dos quartos, de frente para a Praça Coronel Pedro Osório (Foto: Carlos Queiroz - DP)

 Em quatro imagens, detalhes atuais do prédio (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Em quatro imagens, detalhes atuais do prédio (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Prédio fica situado na praça Coronel Pedro Osório, 205 (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Prédio fica situado na praça Coronel Pedro Osório, 205 (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Hotel resistiu até o ano passado, provavelmente fechou em decorrência da crise econômica (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Hotel resistiu até o ano passado, provavelmente fechou em decorrência da crise econômica (Foto: Carlos Queiroz - DP)

O Rex Hotel, inaugurado em 1953 e fechado definitivamente há cerca de um ano, já foi um dos mais luxuosos e modernos hotéis do Rio Grande do Sul e hospedou figuras ilustres nas décadas de 50 e 60. Veio a preencher uma lacuna na cidade, que não tinha uma rede hoteleira forte para receber visitantes que prestigiavam grandes eventos locais. Marcou época em Pelotas, mas acabou extinto e o prédio agora está para alugar.

Pelos apartamentos do Rex Hotel passaram o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Paulo Brossard; o famoso estilista e carnavalesco carioca Evandro de Castro Lima, o militar e político Luís Carlos Prestes, entre outras personalidades famosas. O hotel resistiu até o ano passado, provavelmente fechou em decorrência da crise econômica. Passou por vários donos, sendo que o último teria sido um argentino, que locava o imóvel, de propriedade da família Garcia.

O prédio fica situado na praça Coronel Pedro Osório, 205. Mais precisamente na esquina com a rua Marechal Floriano. Tem cinco andares com 42 apartamentos, algumas suítes com sacadas e um terraço. Teve época áurea nas décadas de 50 e 60, voltando a se destacar de 1986 a 1989 e em 1993, quando o Carnaval foi realizado na Marechal Floriano. Faltavam apartamentos e suítes para o grande número de pessoas de Pelotas e de fora que se hospedava no Rex para assistir à folia “de camarote”, pelas sacadas. Tempos em que a festa popular local era forte e famosa no país inteiro.

O imóvel disponibilizado hoje para locação na Raphael Imóveis, no valor mensal de R$ 15 mil, é avaliado em cerca de R$ 9 milhões. Precisa de pintura e vários reparos. A louça e os acessórios dos banheiros e cozinha acusam o tempo de uso e desuso. Não tem mais móveis, exceto alguns televisores de tubo, camas, colchões, um banco quebrado, uma bancada onde servido o café da manhã e um cofre velhos. Um orelhão de cartão ainda está na parede do saguão e o elevador não funciona.

Mas para um prédio fechado e tão antigo, pode-se dizer que suas condições gerais são boas, de certa forma até surpreendentes. Proporciona uma das mais belas vistas da praça Coronel Pedro Osório pelas sacadas das suítes, onde também é possível contemplar as ruas 15 de Novembro e Marechal Floriano, seus prédios e seu movimento.

História
Em artigo disponibilizado na internet, o escritor e historiador Adão Monquelat conta que o Rex Hotel foi instalado em edifício próprio, construído pela empresa Ernesto Woebecke S.A. de Porto Alegre, sob a orientação do engenheiro civil Ary Pavão. A obra levou um ano e os primeiros proprietários foram José Tavares, Osvaldo Fonseca e Solon Fonseca. O ato de inauguração reuniu a sociedade pelotense, autoridades e convidados no bar que ficava no primeiro pavimento, anos depois vindo a se tornar o restaurante. Em nome da empresa, pronunciou-se o advogado Maximiano Pombo Cirne, que mais tarde torou-se um dos proprietários.

Conta Monquelat que convidados e imprensa percorreram após as “luxuosas dependências” do Rex Hotel, que tinha modernos apartamentos, dotados de água quente e fria, excelente mobiliário e fina rouparia. Cada unidade também tinha telefone, quesito importante na época. No bar americano eram servidas as mais finas bebidas, para maior conforto dos clientes. No dia seguinte à inauguração, 25 turistas uruguaios se hospedaram no local.

Na parte térrea do Rex, com entrada separada, funcionava a não menos tradicional e famosa loja A Principal, inaugurada quase 20 anos antes, em setembro de 1939. Tratava-se de luxuoso magazine, de propriedade de A. N. Carvalho & Cia, fechado muitos anos antes do Rex.

Outros donos
Maximiano Pombo Cirne acabou comprando o Rex Hotel, juntamente com o empresário João Manta. Na década de 60, Manta vendeu sua parte para Carlos Marino Louzada, que manteve a sociedade com Cirne. Anos depois o sogro de Louzada, Leonardo Garcia, adquiriu o hotel, relata o filho de Maximiano Pombo Cirne, Maximiano Pinheiro Cirne, que trabalhou com o pai no hotel aos 17 anos, em 1967. O patrimônio foi herdado por uma filha de Garcia.

Mais recentemente, o Rex Hotel constava em listas dos hotéis locais na internet. Na descrição eram citados os 42 apartamentos com TV, alguns com banheiro privativo e ventilador de teto, café da manhã incluso na diária, estacionamento conveniado e wi-fi.


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