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Parte do acervo do museu da Colônia Maciel ganha exposição

Reinstalado no Casarão 6, peças mostram o recente momento da entidade

01 de Outubro de 2017 - 21h30 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Controle.  Fábio Cerqueira coordenou o projeto de readequação (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Controle. Fábio Cerqueira coordenou o projeto de readequação (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Do céu ao inferno. Peças são divididas conforme A divina comédia (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Do céu ao inferno. Peças são divididas conforme A divina comédia (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Sete meses depois do desabamento do telhado do prédio que abrigava o Museu Etnográfico da Colônia Maciel, parte do acervo desta casa de memória volta a ser apresentada, mas agora sob o resguardo do Casarão número 6 da praça Coronel Pedro Osório, em Pelotas. A exposição Memória em três atos: desafios e superação de um museu de imigração italiana é a atração da entidade nos próximos seis meses.

Em fevereiro deste ano, depois de uma forte tempestade parte do telhado do prédio histórico da antiga Escola Garibaldi, construído em 1928, ruiu sobre o acervo. Por questões de segurança, não foi possível a retirada imediata de todo o material que estava na sala de exposições atingida. O processo de resgate ocorreu cerca de um mês e meio depois. “A retirada só foi feita depois que tivemos a autorização da Defesa Civil e dos Bombeiros”, explica o professor doutor Fábio Vergara Cerqueira, do Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal de Pelotas (ICH/UFPel).

Depois de retirado, o acervo foi encaminhado para triagem e cuidados. De abril até julho uma equipe de professores e graduandos dos cursos de História e Conservação e Restauro trabalharam intensamente sobre o espólio. Algumas peças tiveram perda irreversível, outras demandavam restauração mais complexa, estas ainda aguardam o procedimento. As que precisavam de reparos mais simples foram revitalizadas.

Inspiração em Dante
E é este acervo que compõe a atual exposição, montada com inspiração na obra do italiano Dante Alighieri, A divina comédia. O conceito utiliza as divisões da obra, Inferno, Purgatório e Paraíso, para apresentar as peças.

Representando o Inferno, a primeira sala apresenta o que foi destruído. São telhas, madeiramento e algumas peças que ainda não foram restauradas, como uma cadeira de barbeiro, e aquelas que não terão conserto, como o antigo rádio, que a partir de agora será conservado no estado em que está.

No outro ambiente, o Purgatório, o visitante verá como foi o procedimento de restauração de algumas peças. “O pessoal pode aprender um pouco sobre essa área de conservação e restauro.”

Nesta sala há panelas de ferro que ficaram totalmente enferrujadas, por causa da exposição ao clima, após o desabamento e que hoje estão totalmente restauradas. Há ainda um baú, que chegou com a família Krause em 1886, e está pronto para ser apreciado.

O Paraíso abriga peças que foram totalmente recuperadas. “É o Museu voltando depois de todo esse processo”, fala o professor.

Para Vergara é importante que o público perceba a fragilidade do patrimônio e o quanto ele precisa ser cuidado. “Temos que estar atentos”, comenta. O pesquisador chama a atenção para o fato de que vários museus e sítios arqueológicos em todo mundo passaram por situações que resultaram em grandes prejuízos. “Mas depois há uma mobilização, como a gente fez, para não se abater, não desistir.”

Em andamento
O Casarão 6 irá abrigar a exposição do Museu Etnográfico por seis meses, no local estão apenas as peças da atividade, o restante do acervo está abrigado no Campus II do ICH, onde foi feita a triagem, e ainda na Colônia Maciel. “Como lá (na colônia) ainda vai demorar, o museu vai funcionar na cidade”, confirma o pesquisador.

Sob a guarda compartida entre a prefeitura e a UFPel, o museu irá ganhar em breve projeto de restauro, sob responsabilidade da Secretaria de Cultura, do antigo prédio, que está cercado e escorado. O projeto passará, posteriormente, por processo de captação de recursos.


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