Arte

Chimarrão rodeado por vanera e choro

Com música, oficina e mostra fotográfica, um instrumentista fluminense e outro gaúcho abordam as conexões culturais

27 de Setembro de 2017 - 15h37 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Figueiredo (E) se uniu a Samuca no projeto. (Foto: Eduardo Rocha - Especial - DP)

Figueiredo (E) se uniu a Samuca no projeto. (Foto: Eduardo Rocha - Especial - DP)

O chorinho nasceu no Rio de Janeiro, mas se consolidou como gênero musical genuinamente brasileiro sob a influência de compositores e instrumentistas - entre eles os gaúchos - de diferentes lugares. O músico Samuca do Acordeon se debruçou longamente sobre este assunto e com a colaboração do flautista fluminense Pedrinho Figueiredo trouxe à tona essa história no projeto Sobre Rodas de Choro e Chimarrão - Conectando Manifestações Culturais. Um trabalho de fôlego que resultou em oficina, show, livro e mostra fotográfica, ações culturais que chegam a Pelotas nesta quinta-feira (27), com patrocínio do Sistema Fecomércio-RS/Sesc. Todas as atividades são gratuitas

O projeto Sobre Rodas de Choro e Chimarrão foi vencedor do edital do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), da Secretaria de Cultura do Estado, no ano passado, quando rodou por cinco cidades do Estado, além da capital. A pesquisa ainda teve a colaboração de Arthur de Faria e Heleno Cardeal nos textos do material gráfico. Este ano a turnê está de volta com apoio do Arte Sesc.

Em Pelotas os músicos farão show aberto ao público às 20h, na Bibliotheca Pública Pelotense. A apresentação conta com regional formado por Fernando Sessé (pandeiro), João Vicente Macedo (violão de sete cordas), Fábio Azevedo “Cabelinho” (cavaquinho), Pedrinho Figueiredo (sax soprano e flauta) e Samuca do Acordeon (acordeon).

Antes do show os instrumentistas disponibilizam oficina de choro destinada a músicos, professores e interessados no tema. Em Pelotas o encontro será nesta quinta-feira, às 14h, no Centro de Artes da UFPel. Informações e inscrições no Sesc ou pelo telefone (53) 3225-6093.

Quem faz a oficina leva para casa um livro com dez partituras, dos dez compositores gaúchos selecionados para integrar o projeto. O material, que traz nomes de pelotenses como Avendano Júnior, morto em 2012 aos 72 anos, e Rubens Leal Brito, o Britinho, contém ainda pequena biografia escrita por Arthur de Faria.

O projeto se completa com exposição fotográfica com fotos de Eduardo Rocha. “São totens com resumos das biografias e registros fotográficos feitos pelo Eduardo”, conta Figueiredo.

Mistura
No Rio Grande do Sul há 36 anos, Pedrinho Figueiredo conta que desenvolveu seu trabalho na música longe do choro, apesar de ter tido contato desde muito cedo com o berço do gênero. A estreia no choro foi em Porto Alegre, no Theatro São Pedro, dentro da programação do projeto O choro é livre, de 1985. “Eu e o violonista Toneco da Costa, que é pelotense, fizemos homenagem aos compositores gaúchos.”

E é esta conexão entre culturas diversas que se estabelece nas rodas de chimarrão e de choro, concluem os músicos. Figueiredo lembra de um dos mais importantes nomes do regionalismo gaúcho, Adelar Bertussi, que teve um dos seus principais discos gravados no Rio de Janeiro. “Quem gravou o disco do Bertussi, que consagra a música gaúcha, foi o pessoal do choro. Mistura fina, a quinta faixa do lado A, é um chorinho campeiro”, diz.

Influentes
Além da influência do chorinho na música local, o trabalho de Samuca e Figueiredo lembra o de compositores como Otávio Dutra, porto-alegrense, que na década de 1910 foi importantíssimo no movimento nacional do choro.

Dutra chegou a vender 40 mil partituras. “Seria como vender 500 mil discos”, compara o músico. A pesquisa ainda revisita o legado do também porto-alegrense Radamés Gnattali (1906-1988), que colocou o choro dentro das salas de concerto.

Gnattali foi arranjador da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, a partir de 1936, onde ficou por cerca de 30 anos, bem como o flautista porto-alegrense Dante Santoro (1904-1969), que liderou o Regional da Rádio Nacional entre 1938 e 1969. Para Figueiredo os artistas do Sul tiveram grande influência no repertório de choro da rádio e consequentemente o que os músicos ouviam influenciava o que era produzido aqui, tanto no choro quanto no regionalismo.

O quê? Sobre Rodas de Choro e Chimarrão - Pelotas

Quando? Nesta quinta-feira, às 20h

Onde? Bibliotheca Pública Pelotense, praça Coronel Pedro Osório, 103

Entrada franca


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